quinta-feira, 20 de maio de 2010

A Igreja tem o poder de perdoar pecados?

Alessandro Lima

.Introdução

"Recebei o Espírito Santo. Aqueles a quem perdoardes os pecados, lhe serão perdoados; aqueles a quem os retiverdes, lhes serão retidos" (Jo 20,22-23).

Sabemos que o batismo é o primeiro grande sacramento do perdão dos pecados. Através do batismo somos inseridos na família de Deus (a Igreja) e temos nossas culpas perdoadas.

Mas se o Cristão que no ato do batismo recebeu a imagem de Cristo, vier a pecar e então manchar esta imagem? Como ele obterá o perdão do pecado se não pode ser rebatizado?

A graça do batismo embora seja regenerativa, não livra a natureza humana de cometer pecados. O batismo é na verdade a porta de entrada para a Graça do Senhor e não a única e exlcusiva opção. No combate contra a inclinação para o mal, nem todas as batalhas o homem é vencerá; nem sempre conseguirá evitar a ferida do pecado.

É necessário então que haja uma outra chance para que o batizado possa se reconciliar com Deus e a Santa Igreja.

Foi para este caso que Nosso Senhor instituiu em Sua Igreja, o Sacramento da Confissão.

Objeção Protestante

Os protestantes afirmam que o perdão dos pecados deve ser pedido diretamente a Deus. Afirmam que a Igreja Católica pregra contra o Evangelho porque ensina que os fiéis católicos devem confessar seu pecado ao padre, e que isto seria errado pois o padre é um homem pecador como qualquer outro e como poderia um homem pecador perdoar o pecado de outro pecador?

Se o padre pode batizar porque não pode perdoar pecados? Não é pelo batismo que obtemos o primeiro perdão dos pecados? Se podemos obter o perdão dos pecados quando o padre batiza, por que não podemos obter este mesmo perdão pelo sacramento da penitência (ou confissão)?

Para sermos coerentes, ou deveríammos ser batizados diretamente por Deus ou o padre também pode perdoar pecados.

Por que que a Graça que opera no ato do Batismo não pode operar também no ato do confissão ao sacerdote?

Qual será o ensinamento que Cristo deixou sobre o perdão dos pecados após o batismo?

Antes, veremos como Ele instituiu a confissão dos pecados na Antiga Aliança.

O perdão dos pecados na Antiga Aliança

Na Antiga Aliança os pecados não eram perdoados com a confissão direta a Deus. O pecado era confessado no Templo perante o sacerdote e o pecador tinha que oferecer um sacrifício especifico para obter o perdão de seu pecado (cf. Lv 4). Esta regra estabelecida por Deus era figura do Sacramento da Confissão. Como Ele mesmo disse, o Senhor não veio abolir a Lei, mas dar o seu correto cumprimento. Cristo vem para realizar aquilo que antes era anunciado em figura. O que Ele fez com a antigra regra de Moisés quanto à confissão e perdão dos pecados?

Veremos agora como a confissão dos pecados deveria ser na Nova e Eterna Aliança.

O perdão dos pecados na Nova e Eterna Aliança

A Igreja foi fundada para que seja o Cristo na terra, isto é, para que opere na terra tudo que Cristo operava, já que Ele deveria ir para o Pai. Como dizia Santo Ambrósio de Milão: "O Senhor quer que seus discípulos tenham um poder imenso: quer que seus pobres servidores realizem em Seu nome tudo o que havia feito quando estava na terra" (Sobre a Penitência, 370 DC).

O Senhor desejou que as coisas que Ele realizava fossem agora realizadas por meio de Sua Igreja.

Por isso Nosso Senhor primeiramente confere aos apóstolos o poder de batizar e autoridade de pregar o Evangelho, já que sem a fé Nele e sem o batismo ninguém pode se salvar (cf. Mt 16,15-16).

Depois Nosso Redentor confere aos Apóstolos o poder de perdoar pecados: "Recebei o Espírito Santo. Aqueles a quem perdoardes os pecados, lhe serão perdoados; aqueles a quem os retiverdes, lhes serão retidos" (Jo 20,22-23).

O desejo de Cristo de que o perdão dos pecados deve ser obtido através da Igreja é bem claro. É um grande erro crer que o pecado pode ser confessado diretamente a Deus. Não foi este o desejo de Nosso Senhor.

Da mesma forma que sem Cristo não há perdão, sem a Igreja também não há, já que ela é o Cristo na terra.

Precedentes contra o Sacramento da Confissão

No início do século III, Novato - um sacerdote da Igreja em Roma - ensinava que não haveria mais esperança para aquele que viesse a pecar depois do batismo. Para ele era inútil o poder da Igreja de perdoar pecados. Novato consegue influenciar muitos membros do clero em Roma. Seus ensinamentos provocaram grande turbulência na Igreja Católica em Roma e então um Concílio regional é convocado para tratar da questão. Segundo o historiador da Igreja Primitiva, o Bispo Eusébio de Cesaréira, este Concílio "Contava com sessenta bispos e ainda um número maior de presbíteros e diáconos; nas províncias, os pastores examiraram em particular, conforme cada região, o que importava fazer. Foi tomada uma decisão geral. Fossem considerados fora da comunhão da Igreja, Novato, simultaneamente com os que se rebelaram com ele, e adotaram a opinião antifraterna e inteiramente desumana de Novato. Relativamente aos irmãos que haviam caído na infelicidade, era preciso tratá-los e curá-los pelos remédios da penitência" (História Eclesiástica VI, 43,2).

Em normas gerais, a heresia Novaciana negava o perdão dos pecados aos que caíram em pecado após o Batismo. Os sacerdotes novacianos, negavam ministrar o Sacramento da Confissão aos fiéis da Igreja.

Embora o Concílio Reginal de Roma tivesse condenado as teses novacianas, além de outros Concílios Regionais na próprio Itália, no Egito e na África, a heresia Novaciana ganhou grande terreno na Igreja Antiga.

Em meados do século IV, o Bispo Ambrósio de Milão (pai espiritual de Santo Agostinho) publica importante obra contra a heresia novaciana entitulada "Sobre a Penitência". A obra reafirmava a ortodoxia da Tradição recebida dos Apóstolos, de que a Igreja não poderia negar o perdão dos pecados aos fiéis e que recebera especial poder de Cristo exatamente para este fim. "Sobre a Penitência" foi definitiva para varrer as teses de Novato do seio da Santa Igreja.

Conclusão

O catecismo da Igreja Católica quanto ao Sacramento da Confissão, é fé antiga do Cristianismo. A Igreja Católica não modificou o Evangelho ( como acusam os homens de má fé ou ignorantes da memória Cristã), ao contrário ensina o Evangelho de sempre, assim como Cristo comunicou aos Apóstolos e estes nos deixaram através da Sagrada Tradição. Vimos que a própria Bíblia dá testemunho de que Cristo deu aos seus apóstolos o poder de perdoar pecados (cf. Jo, 20,22-23).

A tese que nega que a Igreja tenha o poder de perdoar os pecados, sempre foi tida como heresia nos primeiros séculos. Como pode ser agora aceita como fé legítima?

A Verdade é verdade sempre: ontém e hoje. A falta de memória cristã é arrasta e tem arrastados muitos a professarem o erro, achando que estão agradando a Deus.

Ficamos aqui com a reflexão de Santo Ambósio de Milão sobre aqueles que, como os novacianos, negam que a Igreja tenha o poder de perdoar pecados:

"Dizem eles [os hereges novacianos], porém, que prestam reverência ao Senhor, o único a quem reservam o poder de remir os crimes. Pelo contrário, ninguém lhe faz maior injúria do que aqueles que querem anular seus mandamentos, rejeitar o encargo que lhes foi confiado. Pois se o próprio Senhor Jesus diz em seu Evangelho: 'Recebei o Espírito Santo, e a quem perdoardes os pecados, ser-lhe-ão perdoados, e a quem os retiverdes, ser-lhe-ão retidos'(Jô 20,22-23). Quem é que o honra mais: aquele que obedece a seus mandamentos ou aquele que resiste a eles?"(Santo Ambrósio de Milão, Sobre a Penitência 2,6. 370 DC)

"Que sociedade podem então ter contigo [Jesus] estes que não aceitam as chaves do Reino (cf. Mt 16,19), ao negarem que devem perdoar os pecados?" (Santo Ambrósio de Milão, Sobre a Penitência 7,32. 370 DC)

"É certamente isto que eles [os novacianos] confessam a seu próprio respeito e com razão; de fato, não podem ter a herança de Pedro aqueles que não tem a cátedra de Pedro, a qual despedaçam com uma ímpia divisão. Contudo, é sem razão que negam também que na Igreja os pecados possam ser perdoados."(Santo Ambrósio de Milão, Sobre a Penitência 7,33. 370 DC)

terça-feira, 18 de maio de 2010

BÍBLIAS DIFERENTES?

Autor: Alessandro Ricardo Lima
Fonte: http://www.veritatis.com.br

Muitas pessoas se surpreendem ao saber que a Bíblia utilizada pelos protestanes é diferente da Bíblia utilizada pelos católicos. Mas qual é a diferença?

Como já escrevemos, o catálogo sagrado foi definido pela Igreja Católica em 393 durante o Concílio de Hipona. A Igreja desde os tempos apostólicos, utilizou a versão grega dos livros sagrados, chamada Septuaginta.

Desde o séc. IV até o séc. XVI, a Bíblia era a mesma para todos os cristãos. A diferença ocorreu durante a Reforma Protestante, quando Martinho Lutero renegou 7 livros do antigo testamento (Tobias, Judite, 1 Macabeus, 2 Macabeus, Sabedoria, Eclesiástico, Baruc, trechos de Daniel e Ester) e a carta de Tiago do Novo Testamento.

Lutero renegou tais livros porque eram fortemente contrários à sua doutrina. Por causa de uma das colunas de sua doutrina a "Sola Fide" ou Somente a fé, Lutero alterou o famoso versículo "Mas o justo viverá da fé" (Rm 1,17) para "Mas o justo viverá somente pela fé", e renegava a Carta de Tiago, que ensina que somente a fé não basta, é preciso as obras. Devido ao prestígio que a Carta de Tiago tinha, Lutero não obteve sucesso ao excluir tal livro. Quanto ao Antigo Testamento, os protestantes então resolveram ficar com o catálogo definido pelos Judeus da Palestina.

Este catálogo Judaico foi definido por volta de 100 DC na cidade de Jâmnia, e estes foram os critérios estabelecidos pelos judeus para formarem seu cânon bíblico:

• O livro não poderia ter sido escrito fora do território de Israel;
• O livro teria que ser totalmente redigido em Hebraico;
• O livro teria que ser redigido até o tempo de Esdras (458-428 AC);
• O livro não poderia contradizer a Torah de Moisés (os 5 livros de Moisés).

Devido à enorme conversão de judeus ao cristianismo, principalmente os judeus de língua grega, é que os judeus que não aceitaram a Cristo, desenvolveram um judaísmo rabínico, isto é, um judaísmo ultra-nacionalista, para frear a conversão das comunidades judaicas ao cristianismo. Com este cânon bíblico, era proibida pelo menos a leitura de todo o Novo Testamento, que mostra fortemente o cumprimento da promessa do Messias na pessoa de Cristo.

Muitos dos originais hebraicos de alguns livros foram perdidos, existindo somente a versão grega na época da definição do cânon judaico. Isto significa que livros como Eclesiástico e Sabedoria, escritos por Salomão, não foram reconhecidos pelos judeus de Jâmnia, além de outros livros que foram escritos em aramaico durante o domínio caldeu e persa. Recentemente os arqueólogos encontraram em Qruman no Mar Morto, o original hebraico do livro Eclesiástico.

Estes livros do Antigo Testamento que não foram unânimimente aceitos são chamados técnicamente de deuterocanônicos.

Os protestantes entram então em grande contradição pois aceitam a autoridade dos Judeus da Palestina para o Antigo Testamento e não aceitam a mesma autoridade para o Novo Testamento. Aceitam a autoridade da Igreja Cátólica para o Novo Testamento e não aceitam a mesma autoridade para o Antigo Testamento.

Os apóstolos em suas pregações utilizavam a versão grega dos livros antigos, note que das 350 sitações que o Novo Testamento faz dos livros do Antigo Testamento, 300 também se referem aos livros deuterocanônicos.

O ROSÁRIO: ORIGEM E SIGNIFICADO

Autor: Alessandro Manoel da Silva ( NINO )
Fonte: http://www.veritatis.com.br

O costume de rezar em breves fórmulas de oração consecutivas constitui uma das expressões da religiosidade humana, independentemente do Credo que alguém professa. Entre os cristãos, tal hábito já estava em uso entre os eremitas e monges do deserto nos séculos IV e V. Tomou incremento especial no Ocidente: no fim do século X, havia entre os fiéis o costume de rezar o "Pai-nosso" certo número de vezes consecutivas. Esta prática teve origem, provavelmente, nos mosteiros, onde muitos cristãos professavam a Vida Religiosa, mas não estavam habilitados a seguir a oração comum, que compreendia a recitação dos salmos.

Para favorecer esses exercícios de piedade, foi-se aprimorando a confecção das "correntes" que serviam à contagem das preces. Esses instrumentos eram chamados "Paternoster" tanto na França como na Alemanha, na Inglaterra e na Itália ou, menos freqüentemente, "numeralia, fila, computum, preculae". Os seus fabricantes constituíam prósperas corporações, ditas dos "Paternostries" ou dos "Paternosterer".

Ao lado de tal prática, ia-se desenvolvendo entre os fiéis outro importante exercício de piedade, o costume de saudar a Virgem Santíssima; repetiam a saudação do anjo a Maria - "Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo" (Lc 1,28) -, acompanhada das palavras de Isabel - "Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre" (Lc 1,42). A invocação subseqüente - "Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora da nossa morte. Amém." - ainda não estava em uso na Idade Média.

Em conseqüência, por volta do ano 1150, os fiéis conceberam a idéia de dirigir à Maria, 150, 100 ou 50 saudações consecutivas, à semelhança do que faziam repetindo a oração do Senhor. Cada série de saudações - intercalada pela oração do "Pai-nosso" - devia constituir uma coroa de rosas ofertada à Virgem Santíssima; daí os nomes de "rosário" e "coroa" que se foram atribuindo a tal prática; também chamada "Saltério da Virgem Santíssima", conforme as séries de 150, 100 ou 50 "Pais-nossos", que faziam as vezes de Saltério dos irmãos conversos nos mosteiros.

Por volta de 1408, o monge cartuxo Henrique de Egher, ou de Calcar, redigiu um poema intitulado "Psalterium Beatae Mariae", no qual estimulava a recitação de um "Pai-nosso" antes de cada dezena de "Ave-Marias". Esta forma encontrou espontânea aceitação e tornou-se comum entre os fiéis.

Posteriormente, houve a associação da meditação à recitação vocal das "Ave-Marias". O dominicano Alan de La Roche, por volta de 1475, sugeria a recitação de 150 mistérios, que percorriam os principais aspectos da obra da Redenção, desde o anúncio do anjo à Maria até a morte da Virgem Santíssima e o juízo final.

Durante séculos, a maneira de celebrar o "Saltério de Maria" variou muito. Papel de relevo na orientação geral desta prática do Rosário coube à benemérita Ordem de São Domingos, à qual foi sempre muito caro esse exercício de piedade; através de Irmandades do Rosário, assim como por meio de pregações, escritos, devocionários, os dominicanos difundiram largamente a devoção.

Foi, finalmente, um Papa dominicano, São Pio V (1566-1572) quem deu ao Rosário a sua forma atual, determinando tanto o número de "Pais-nossos" e "Ave-Marias" como o teor dos mistérios que o devem integrar. O Santo Pontífice atribuiu à eficácia dessa prece a vitória naval de Lepanto, que, aos 7 de outubro de 1571, salvou de grande perigo a Cristandade ocidental; em conseqüência, introduziu no calendário litúrgico da Ordem de São Domingos a festa do Rosário sob o nome de "Festa de Nossa Senhora do Rosário". A solenidade foi, em 1716, estendida à toda a Igreja. A devoção foi, daí por diante, mais e mais favorecida pelos Pontífices Romanos, merecendo especial relevo o Papa Leão XIII, que determinou que fosse o mês de outubro dedicado à recitação do Rosário.

Em outubro de 2002, o Papa João Paulo II, através da Carta Apostólica "Rosarium Virginis Mariae" propôs que se acrescentasse outros cinco mistérios àqueles até então contemplados no Rosário (mistérios gozosos, dolorosos e gloriosos), chamados "mistérios luminosos" (ou da luz), que compreendem a vida pública do Salvador (do Batismo no Jordão até o início da Paixão). Esta sugestão teve o objetivo de ampliar o horizonte do Rosário, afim de que seja possível a quem o recita com devoção penetrar ainda mais a fundo no conteúdo da Boa Nova e conformar sempre mais a própria existência àquela de Cristo.

Por fim, é importante notar que o Rosário não é uma oração meramente vocal. A repetição das mesmas preces tem o objetivo de criar um clima contemplativo, que permita a meditação e o aprofundamento dos grandes mistérios da nossa fé, associados a cada dezena do Rosário. O aspecto meditativo ou contemplativo é essencial à recitação do Rosário.

EXISTEM ERROS NA BÍBLIA?

Autor: Ivo Storniolo/Euclides Balancin
Fonte: http://www.veritatis.com.br

Depende de como encaramos a Bíblia. Se a tomarmos como livro científico, então é evidente que muitas coisas não vão correponder ao que a ciência diz hoje: crianção do mundo em seis dias, idéia de como é feito o mundo, etc. Se considerarmos a Bíblia como livros escritos por Deus, milhares de perguntas surgirão: como Deus pode admitir que haja escravos? E como pode a mulher ser tratada desse jeito? Como pode permitir que haja tantas matanças?

Antes de responder se a Bíblia contém erros, é preciso ter presente duas coisas:

1. A Bíblia é Palavra de Deus na História dos Homens. Deus se serviu de autores humanos para escrevê-la. E eles o fizeram de acordo com a mentalidade da sua época, seus costumes, sua cultura e sua ciência. É dentro daquela época que a Palavra de Deus "se encarnou", veio até nós.
2. A Bíblia não pode e nem é um livro de edificação, onde tudo aparece puro e sem pecado. É diferente ler a Bíblia e ler um livro de espiritualidade qualquer, onde tudo nos eleva, nos consola. A Bíblia narra a "luta" de Deus para realizar o seu plano, o seu projeto no meio de homens que são pecadores e justos, bons e maus, fraternos e opressores, puros e corruptos.

É dentro dessa realidade humana que Deus age continuamente para salvar o homem. E essa é a finalidade em vista da qual a Bíblia foi escrita e é Palavra de Deus. Encarando assim, podemos dizer, dentro da nossa fé, que os "livros da Escritura ensinam com certeza, fielmente e sem erro, a verdade que Deus, em vista da nossa salvação, quis que fosse colocada nas Sagradas Escrituras" (Dei Verbum, nº 179).

A "BESTA-FERA" (666) SÃO AQUELES QUE CALUNIAM O PAPA

Autor: Rogério Amaral Silva
Fonte: http://www.veritatis.com.br

Existem pessoas, que com um espírito anti-cristão, querem a todo custo desmoralizar o sucessor de Pedro, João Paulo II, por conseguinte, a Igreja Católica. Uma delas elaborou maldosamente um título para o Papa, "Vicarius Filii Dei" (Vigário do Filho de Deus, tradução do latim). Somando-se as letras, que em latim, possuem valores numéricos, resulta 666, o número da besta (ver Ap 13):

• V=5
• I=1
• C=100
• A=0
• R=0
• I=1
• U(=V)=5
• S=0
• F=0
• I=1 5+1+100+0+0+1+5+0+0+1+50+1+1+500+0+1 = 666
• L=50
• I=1
• I=1
• D=500
• E=0
• I=1

Quem elaborou este título foi o fundador das Testemunhas de Jeová, Charles T. Russel, os adventistas também costumam difamar o Papa com este falso título, mas é muito simples responder aos adventistas e testemunha de jeová sobre esta questão.

A acusação mostra apenas a insensatez, a ira, aversão e o espírito anti-cristão dos acusadores de São Pedro e seu sucessores. Vamos a algumas explicações que podem contrariar essas calúnias:

O texto do Apocalipse que se encontra no 13º capítulo, versículo 18 deste livro exige que a besta seja um homem e não um cargo (os chefes da Igreja Católica): "Eis aqui a sabedoria! Quem tiver inteligência, calcule o número da besta, porque é o número de um homem, e este número é seiscentos e sessenta e seis" (Ap 13,18). Existem nomes de homem que possuem letras suscetíveis de representação numérica em algum idioma. Por exemplo, do nome Ludovicus do latim, que em português se escreve Luis podemos retirar letras do alfabeto romano, cuja a soma resulta 666, confira:

• L=50
• U(=V)=5
• D=500
• O=0
• V=5 50+5+500+5+1+100+5=666
• I=1
• C=100
• U(=V)=5
• S=0



O seguinte jogo alfanumérico é dedicado aos adventistas que tanto caluniam o Papa, seguindo o exemplo dos testemunhas de Jeová. Ellen Gould White foi uma importante doutora e "profetisa" para os Adventistas que também caluniam o chefe da Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, confira qual o resultado dos algarismo romanos que estão no seu nome:

• E=0
• L=50
• L=50
• E=0
• N=0
• G=0
• O=0
• U(=V)=5 50+50+5+50+500+(5+5)+1=666
• L=50 (Parece que o feitiço voltou-se contra o feiticeiro.)
• D=500
• W(=V+V)=5+5
• H=0
• I=1
• T=0
• E=0

A própria besta - thérion, em grego - também resulta 666 se somarmos os valores numéricos destas letras no hebraico:

• T=400
• R=200
• Y=10 400+200+10+6+50=666
• V=6
• N=50

Até mesmo Jesus poderia ser considerado a besta do apocalipse. Com efeito, as letras hebraicas do nome Jesus de Nazaré perfazem o total 666 (não se esqueça, os judeus escrevem da direita para a esquerda, por tanto faça o mesmo):

• Y=10
• R=200
• S=90
• N=50 10+200+90+50+6+300+10=666
• V=6
• S=300
• Y=10


Quem era besta afinal?

Antes de se procurar por algum nome, é necessário esclarecer que os livros bíblicos dirigem-se primeiramente a leitores imediatos, ou seja, da época em que vivia o autor de cada livro bíblico. Por tanto, é necessário fazer uma análise contextual e global entre o texto do apocalipse, seu autor, São João evangelista, e a história universal.

Quando Jesus Cristo ascendeu aos céus ele enviou a sua Igreja, então fundada, para que todos fossem ensinados e batizados sob sua assistência espiritual. No entanto, ao pregar tudo aquilo que ele prescreveu, a sua Igreja, formada pelos discípulos e liderada por Simão Pedro, se chocou com várias culturas pagãs. Uma delas era a falsa religião do Império Romano, que servia ao culto do Imperador.

Por esse motivo, em oposição à religião católica, o Imperador da época, César Nero decretou a perseguição aos cristãos por volta do ano 64 d.C. A perseguição durou por vários séculos e os primeiros Papas foram mortos. São Pedro, São Lino, Santo Anacleto (Cleto), São Clemente I... foram todos perseguidos durante os primeiros séculos da era cristã.

É preciso salientar que consiste um erro usar o latim para tentar decifrar o significado do número 666. O apocalipse é dirigido aos povos da Ásia menor, e o latim era falado na Europa Ocidental, por conseqüência, os habitantes da Ásia menor jamais entenderiam, sem um estudo de um idioma distante da sua realidade mais aprofundado, a interpretação do número 666 no idioma latim e não havia motivo para o autor deste livro, São João evangelista, trabalhar com esta língua ocidental, se ele, a princípio, se dirigia aos habitantes de sua terra (Ásia Menor). Sendo assim, devemos procurar uma interpretação relacionado com o idioma falado neste local, ou seja, o grego ou o hebraico.

Se procurarmos na língua hebraica um nome que se encaixasse como esse requisitos, poderemos chegar ao Imperador César Nero; Qsrnrun, em hebraico. Como foi explicado, Nero, foi um grande perseguidor dos cristãos e a soma dos algarismos hebraicos de seu nome resulta 666 (não se esqueça, os judeus escrevem da direita para a esquerda, leia da direita para esquerda):

• N=50
• U=6
• R=200
• N=50 50+6+200+50+200+60+100=666
• R=200
• S=60
• Q=100

Apesar de desconsiderarmos a língua latina nesta interpretação, existe uma "coincidência": caso se omita o "num" (N) final de Nero (n), dando-se a forma latina Nero ao nome, obtém-se o seguinte resultado: 666-50=616. Ora, alguns manuscritos gregos antigos apresentam 616 em lugar de 666).

Este jogo de letras numéricas chama-se gematria, que é a arte de atribuir valor numérico a determinado nome. Este procedimento era comum entre gregos, hebreus, latinos; as letras do alfabeto tinham valor numérico, de tal modo que a soma dos números de um a nove, correspondentes de um nome, resultavam no valor numérico do mesmo.

Desta forma, uma palavra podia ser substituída num texto por seu valor numérico; os intérpretes, ao lerem, deviam deduzir, a partir daquele nome número, o nome assim indicado. Esta era uma tarefa difícil, pois cada número suscitava diversas interpretações. Entre os vários exemplos que os antigos nos deixaram, citamos o das escavações de Pompéia (Nápoles, Itália), onde foi encontrada, gravada numa parede, a seguinte declaração de amor: "Phílo hes arithmós phme", ou seja, "amo aquela cujo número é phme" (ph=500+m=40+e=5, donde chegamos a 545).

A gematria inspirava-se no desejo de "revelar velando" em circunstâncias especiais. Ora, o autor do Apocalipse, ao escrever a fiéis cristãos da Ásia Menor, sujeitos à perseguição, procurava dizer-lhes algo que os confortasse, alundido ao Império Romano perseguidor.

Esta alusão, como se compreende, precisava ser reveladora e velada ao mesmo tempo, para evitar que os autores Católicos fossem descobertos e massacrados.

Bibliografia:
1. BETTENCOURT OSB, Estevão Tavares(1997), Católicos perguntam — São Paulo, Câmara Brasileira do Livro.
2. MOURA, Jaime Francisco de(2000), As diferenças entre: Igreja Católica e igrejas evangélicas, São José dos Campos, Ed. Com Deus.

A REENCARNAÇÃO E A FÉ CRISTÃ

Autor: Prof. Carlos Ramalhete
Fonte: http://www.veritatis.com.br

Um dos erros mais comuns hoje em dia é a crença na chamada "reencarnação", um mecanismo pelo qual uma pessoa teria várias "vidas" sucessivas, sendo uma pessoa ou outra em uma vida ou outra, vidas essas passadas por toda parte. Esta crendice é evidentemente incompatível com a Fé Cristã, com a Razão e com o próprio bom senso.

A crença na reencarnação é incompatível com a Fé Cristã

Ela é incompatível com a Fé Cristã porque sabemos que "Para os homens está estabelecido morrerem uma só vez e logo em seguida virá o juízo." (Heb 9,27), e a reencarnação pressupõe que cada homem teria várias mortes sucessivas, nascendo depois com outro nome, filho de outros pais, em outro país... segundo as crenças de alguns grupos reencarnacionistas, a pessoa poderia nascer com o sexo oposto ou não, ou até, segundo alguns (como os de tendência hinduísta, oriental), poderia nascer como animal ou como planta!

Ela é incompatível com a Fé Cristã porque nega o valor dos Sacramentos (uma pessoa seria batizada novamente em cada "encarnação"), nega Céu, Purgatório e Inferno, nega a criação da alma humana, nega a união substancial entre corpo e alma, nega a existência de anjos e demônios, nega os privilégios da Santíssima Virgem Maria, nega o pecado original, nega a graça divina, nega toda a doutrina do sobrenatural, nega o juízo particular depois da morte, a ressurreição da carne e o juízo final.

Ela é incompatível com a Fé Cristã porque nega a Misericórdia divina e o perdão dos pecados (segundo Allan Kardec, "Toda falta cometida, todo mal realizado é uma dívida contraída que deverá ser paga; se não for em uma existência, sê-lo-á na seguinte ou seguintes." - o pecado, para um reencarnacionista, nunca é perdoado!) e prega um deus que se existe não age, e se age não perdoa. Tudo seria um mecanismo em que estariam presas as pessoas, pagando em uma "encarnação" os pecados cometidos em "encarnações" anteriores, dos quais não têm lembrança ou conhecimento, sem esperança alguma de perdão.

A crença na reencarnação é incompatível com a Razão

A crença na reencarnação é também incompatível com a Razão, com o raciocínio lógico mais elementar. Afinal, para que seja possível aprender com um erro, é necessário que lembremos do erro cometido. Isto ocorre não apenas com os seres humanos, mas também com os animais. Um cachorro aprende a não satisfazer suas necessidades fisiológicas no lugar errado sendo castigado quando o fez, ou sentindo o cheiro do que fez para que se lembre de seu ato. Alguém que tentasse ensinar um cachorro a controlar sua bexiga esperando a hora em que o animal não mais se lembrasse do ato proibido para, de sopetão, castigá-lo, conseguirá na melhor das hipóteses traumatizar o pobre animal, nunca ensiná-lo a segurar a bexiga. Afinal, o pobre animalzinho não saberá porque terá sido castigado!

A crença na reencarnação pressupõe um deus punitivo e sem misericórdia, ou melhor, um mecanismo que funciona por conta própria em que as pessoas são punidas em uma vida por pecados de que não se lembram, por erros que não sabem que cometeram, com o único objetivo de expiar uma falta que desconhecem totalmente ter cometido. Assim, evidentemente, não pode haver aprendizado. Como poderia uma pessoa que sofre com conseqüências de um suposto pecado em uma teórica vida passada aprender a não mais cometer aquele pecado, se ela nunca soube tê-lo cometido?! Como poderia ela saber que errou, que está sendo punida por aquele erro e que não mais deve cometê-lo, se ela não tem lembrança alguma desta suposta vida anterior e só vê as misérias que sofre e que lhe parecem absolutamente desprovidas de valor, já que não tem como ligá-las com aquilo que teria sido a causa destes sofrimentos e que teoricamente os faria justos?

A crença na reencarnação é também incompatível com a Razão pelo simples fato de que não ajuda em nada uma pessoa por pecados que ela não sabe ter cometido, como não faz sentido dizer ser a mesma pessoa (ou dar a ela uma punição!) quando ela nasceu de outros pais, com outro nome, em outro lugar, sem lembrança alguma de sua suposta vida anterior, de sua personalidade nesta "vida passada", de seus erros, acertos, ignorâncias e saberes.

Uma pessoa que não fala a mesma língua, não tem a mesma cultura, nasceu de outros pais, em outro país, não se lembra da "encarnação " anterior, não tem conhecimento algum de nada do que agora o afetaria, não é nem pode ser considerada a mesma pessoa que uma sua suposta "encarnação" anterior. Qual seria o ponto em comum entre essas pessoas? Apenas uma espécie de "carnê" de pecados a pagar, que seria passado de uma pessoa/"encarnação" para outra pessoa/"encarnação", sem que seja possível lembrar-se da origem daqueles sofrimentos, sem que seja levado nada de uma "encarnação" a outra a não ser os pecados a pagar.

Assim, podemos dizer que a crença na reencarnação pressupõe na verdade que os pecados cometidos por uma pessoa (João da Silva, nascido em Botucatu dia 25.I.65 e falecido em Belo Horizonte em 30.VIII.97, teria por pura maldade quebrado a perna de uma criança) são pagos por outra (José de Souza, nascido em 27.IX.97 em Belém do Pará, nascido com a perna aleijada). Ora, isso não apenas é injusto como é absurdo! Não é a mesma pessoa, já que não há nada (paternidade, nome, personalidade, naturalidade, cultura, conhecimentos...) em comum, e José de Souza não teria como saber que sofre pelos pecados de João da Silva, que teria morrido e deixado assim de ser punido pelos seus pecados, passados a José para que a pobre criança os pagasse!

A crença na reencarnação, além disso, é incompatível com a Razão (ao menos quando os reencarnacionistas afirmam que todas as "encarnações" ocorrem em seres humanos e na Terra) porque a população de hoje no planeta é equivalente à soma de todas as pessoas que cá já viveram até o século passado. Assim, cada pessoa poderia no máximo estar na primeira ou segunda "encarnação".

A crença na reencarnação é também incompatível com o bom senso mais elementar e é facilmente perceptível como apenas um reflexo do eterno orgulho humano quando percebemos que praticamente todas as pessoas que acreditam em reencarnação fazem questão de citar imediatamente supostas "encarnações" anteriores como reis, rainhas, pessoas famosas... conheço umas cinco ou seis Cleópatras!

Hoje em dia, com a queda dos padrões morais da sociedade, está também na moda ter sido uma prostituta elegante de alguma corte em supostas vidas anteriores. Isto reflete apenas as ânsias das pessoas, a sua incapacidade de enfrentar a realidade, mas evidentemente não corresponde à realidade.

Os Espíritas e a Igreja

Em 1953 a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil reafirmou o que afirmara em 1915 e em 1948:

"Os espíritas devem ser tratados, tanto no foro interno como no foro externo, como verdadeiros hereges e fautores de heresias, e não podem ser admitidos à recepção dos sacramentos, sem que antes reparem os escândalos dados, abjurem o espiritismo e façam a profissão de fé."

Segundo a Lei da Igreja, "chama-se heresia a negação pertinaz, após a recepção do batismo, de qualquer verdade que se deve crer com fé divina e católica, ou a dúvida pertinaz a respeito dela" (CDC cân. 751). Ora, "o herege incorre automaticamente em excomunhão" (CDC cân. 1364 §1), ou seja, deve ser excluído da recepção dos sacramentos (cân. 1331 §1), não pode ser padrinho de batismo (cân. 874), nem de crisma (cân. 892) e não pode casar na Igreja sem licença especial do bispo (cân. 1071) nem ser membro de associação ou irmandade católica (cân. 316).

Imagens católicas ou ídolos pagãos?

As provas Bíblicas do uso de imagens e ícones na liturgia e devoção.

Fiquei muito satisfeito com a visita de dois Testemunhas de Jeová à minha casa. Foi muito desafiante ver que os dois eram bem firmes sobre sua crença. Um homem e uma mulher, Bíblia na mão, desejosos em começar a discussão. Uma foto colorida da estátua de Nossa Senhora de Fátima - a que verteu lágrimas em Nova Orleans - estava em um lugar bem proeminente na parede da sala. Os TJs não perderam tempo.

"Eu era católica, sabia?", ela iniciou, "até que compreendi que estava adorando ídolos ao invés de Jeová", disse candidamente. "Me livrei de todos os ídolos que tinha, e centrei minha atenção na Bíblia". Imaginei que se meus visitantes fossem Anglicanos ou algum outro ministro protestante poderíamos ter tido uma discussão mais racional sobre este assunto. Mas não com TJs. A maioria dos anglicanos da Austrália não relutaria em ver estátuas da rainha Vitória nos parques públicos. O mesmo se aplica ao capitão Cook e outros grandes personagens da história daquele país. Nem os protestantes dos Estados Unidos - clássicos ou pentecostais - acreditam que o Memorial Lincon em Washington é um templo pagão para adoração de um ídolo de fundição cujas características são de um presidente já morto.

Não. Todos sabem que aquelas estátuas possuem um propósito específico, isto é, relembrar a nós da pessoa que é honrada, suas virtudes e feitos pelo bem da nação. Se alguém pichar as estátuas da rainha Vitória ou de Abraham Lincon não estará simplesmente desfigurando um pedaço de ferro fundido, mas a memória da pessoa e, conseqüentemente, os valores da nação que por extensão estão representadas na pessoa da estátua. É por isso que imagens são feitas para honrar grandes homens e mulheres, e é por isso que temos fotos de nossos queridos em lugares especiais em nossas casas, e, às vezes, beijamos a figura de um filho ou filha morta, ou por saudade do noivo que está viajando, como expressão de carinho a ele ou ela.

Mas todas estas considerações são totalmente estranhas aos TJs. Tive de falar em uma língua que eles entendessem. Então comecei: "Estou satisfeito em saber que você se livrou de todos os ídolos de sua casa e centrou sua atenção na Bíblia. Isto é ótimo. Agora, diga-me, o que você me diria se eu adquirisse um Bíblia de você, e, ao invés, de ler, eu chutasse ela através da porta, rasgasse ela e terminasse fazendo aviõezinhos com suas páginas, que lançaria pela janela até a rua. Agora, o que você diria?" Terminei de dizer sorrindo.

Ela respondeu, "Diria que você não tem respeito pela Palavra de Deus, e irá receber a ira de Jeová..." "Por enquanto é só" - disse eu - "Mas o livro da Bíblia não é só... papel? Para quê esse exagero todo? Um dicionário, uma lista telefônica, um jornal e uma Bíblia são, estritamente falando, apenas papel e tinta! Porque vocês TJs seriam indiferentes se eu fizesse aviõezinhos de papel com papel de uma lista telefônica, mas não ficariam se eu os fizesse usando o papel de uma Bíblia?"

O rapaz estava doido para falar: "A Bíblia contém a mensagem de Jeová, e suas páginas devem ser tratadas com reverência e respeito pelo que representam. Uma lista telefônica ou um dicionário não representam da Palavra de Jeová Deus", ele concluiu, com um toque de seriedade pontifícia. "Pois é por esta mesma maneira que temos imagens", eu disse. "Não é o ferro ou madeira ou outro material usado que se faz importante, mas a personalidade representada, a mensagem que elas trazem".

"Devemos ser guiados pelo Bíblia, sabia" disse a mulher, bem treinada na maneira de mudar de assunto. "E a Bíblia é muito, muito clara quanto imagens e ídolos, sabia? Veja Ex 20,2-5. Aqui você vê os mandamentos de Jeová contra qualquer forma de ídolo ou estátuas, como preferir chamá-las. Posso ler para você na sua própria Bíblia, se preferir?" Ela tomou minha Bíblia da mesa de café, e suas mãos bem treinadas passearam pelas páginas. Então, com uma face ardente, ela leu bem alto: "Eu sou o Senhor teu Deus que te tirou do Egito, da casa da servidão. Não terás outros deuses diante de mim. Não farás para ti imagens de escultura, nem figura alguma do que há embaixo da terra, nem do que há nas águas debaixo da terra. Não adorarás tais coisas, nem lhes prestarás culto. Porque eu o Senhor teu Deus sou um Deus ciumento".

Ela parou por um momento, para ter certeza que eu ouvi a mensagem, e, com um estudado aceno com a cabeça terminou dizendo que... "Como você vê, Jeová Deus abomina idolatria... sabia?"

"Sim, sabia", respondi. "Mas Deus não está condenando pinturas ou esculturas como uma arte, mas apenas as imagens ou outras representações que eram adoradas pelo povo. Você retirou o texto de seu contexto natural e transformou-o em um pretexto contra a Igreja Católica. Se você verificar outros textos paralelos, verá que o que Deus condena é a escultura de ídolos com o propósito de adoração destes mesmos ídolos, que são vistos como ?deuses? pelo povo idólatra, e não meramente imagens representando heróis nacionais ou santos. Veja, por exemplo, Ex 20,23 e 34,17; Lv 19, 4.26; Dt 4,23-24.27,15." (o leitor desta carta verifique, por favor, estas passagens).

"Quer dizer", falou o rapaz, "Que você está me dizendo que, se o povo não adorar as imagens como deuses mas simplesmente as honrar como representações de pessoas virtuosas, Jeová não levará em consideração?"

"Matou a charada, meu rapaz", respondi. "O que estou querendo dizer para você é ainda mais: Deus nosso Senhor ordenou que imagens fossem esculpidas! Ele disse ao povo para ter mais respeito a elas que qualquer Britânico teria com a imagem da rainha Vitória, ou qualquer patriota americano teria com o memorial Lincon ... sabia?" Conclui, com algo meio teatral.

A moça deu uma risada irônica que ecoou pela sala, como morcegos com um radar defeituoso em uma pequena garagem. "Mas você não encontra isto na Bíblia!!!", bradou ela. "É uma invenção católica romana, porque Jeová Deus nunca se contradiria! Como poderia condenar ídolos e depois ordenar que fossem esculpidos? Não pode ser, sabia disso?"

"Claro que não pode ser!", disse. "Isto não foi o que eu disse. Deus nosso Senhor condena a feitura de ÍDOLOS para adoração, mas ordena a escultura de IMAGENS para veneração"

O rapaz estava tão ansioso que sua transpiração atravessava sua nuca: eles achavam que finalmente tinham me encurralado. Deixei que eles tivessem alguns momentos de alegria, mas não muitos. "Posso mostrar a você na Bíblia"? perguntei.

"Seja nosso guia", responderam em uníssono. Peguei a Bíblia na mesa do café, enquanto eles se sentavam alegres e triunfantes. "Aqui está", disse. "Vocês sabem que o lugar mais sagrado mundo era o santuário que guardava a Arca da Aliança. Ela era tão sagrada que nenhum outro senão o sumo sacerdote podia toca-la. Ela continha as tábuas dos mandamentos. Em Ex 25,8 Deus diz: ?devem fazer um santuário para mim, e eu habitarei no meio deles?. Agora, notem que Deus não disse que o santuário deveria ser para simboliza-lo, mas pêra Ele próprio. Ali Ele habitaria, no meio do povo. Agora, os versos 10 a 16 nos falam sobre a Arca da Aliança. Nos vv 17-21 Deus diz: ?Farás também o propiciatório [uma tampa, um opérculo, para a Arca, no qual o sumo sacerdote aspergirá sangue na festa reconciliação] de ouro puro... Farás dois querubins de ouro batido nas duas extremidades do propiciatório, cubram ambos os lados, estendendo as asas e cobrindo o oráculo, e estejam olhando um para o outro com os rostos voltados para o propiciatório, na qual porás o testemunho que eu hei de dar."

Esperei um momento, e conclui: "Claro, poderíamos questionar sobre o estilo atual destas imagens de querubins, mas o assunto que permanece é que Deus ordenou que eles fossem esculpidos e colocados na arca."

Meus visitantes TJs estavam silenciosos, olhando para mim. "Não é incrível", continuei, indiferente, "que Deus Nosso Senhor se renderia a tantos detalhes para descrever as imagens que Ele quisesse ter entre os mais sagrados objetos da terra, a Arca da Aliança?"

"Mas estes eram apenas um símbolo dos querubins do paraíso, sabia?", disse a dama. "Não eram querubins reais, ou ídolos para ser adorados".

"Claro que não!", respondi, enfaticamente. "Eram imagens de querubins, o que é precisamente o que a Igreja Católica ensina" Não são ídolos, de outro modo Deus estaria se contradizendo, condenando e ordenando a mesma coisa. O propiciatório e as imagens dos querubins representavam o trono de Deus no céu, de onde Ele governa o universo.

"Além disso, no v. 22 do mesmo capítulo do Êxodo, falando sobre o propiciatório com suas duas imagens de querubim, Deus diz: ?De lá te darei as minhas ordens, em cima do propiciatório e do meio dos dois querubins, que estão sobre a arca do testemunho, e te darei todas as coisas que por meio de ti intimarei aos filhos de Israel?".

Meus visitantes estavam meio abalados. "Como vocês vêem", conclui, "Era entre duas imagens que Deus falava a seu povo. Certamente Deus não ordenaria a Moisés esculpir ídolos na Arca da Aliança, porque idolatria era - e é - uma abominação aos olhos do Senhor".

Deixei alguns segundos se passarem, e toquei a trombeta para uma outra batalha: "Quando Salomão construiu o templo, foi para cumprir uma ordem de Deus para construir uma morada para Ele, Deus, representada pela Arca. Vejam em Rs 7 (ou 1 Samuel na sua Bíblia). O profeta Natan diz: ?Diz o Senhor: Edifique uma morada para que eu possa habitar? - note como Deus não diz uma casa para a Arca habitar, mas uma morada para Ele mesmo. Ele estava presente onde a Arca estava, e com as famosas imagens"

"Não havia idolatria no templo, Jeová abomina idolatria", disse o rapaz, tentando achar um ponto essencial.

"Perfeitamente", respondi. Estava surpreendido o quanto concordava com meus amigos TJs. "Quando Salomão terminou o templo o livro dos reis diz (1 Rs 6,22-35), ?Nada havia no templo que não estivesse coberto de ouro, também cobriu de orou o altar do oráculo?, mas agora vem a maravilha. ?Pôs no oráculo dois querubins feitos de madeira de oliveira, de dez côvados de altura... Pôs os querubins no meio do templo interior. Tinham as suas asas estendidas, de sorte que uma asa tocava a parede, e a asa do outro querubim tocava na outra parede; e as asas juntavam-se no meio do templo. Cobriu também de ouro os querubins?".

Meus visitantes seguravam seus fôlegos. Continuei: "Vocês sabem o tamanho daqueles querubins? Os do propiciatório eram comparativamente pequenos, como as imagens dos católicos em suas casas, mas aquelas duas gigantes mediriam hoje 10 cúbitos (1 cúbito = 50 cm) de altura, o que seriam cerca de 5 metros de altura! Agora, é uma grande imagem, se me perguntarem! São maiores que as da Basílica de São Pedro no Vaticano...!"

Não dei trégua aos meus visitantes: "Mas não haviam somente imagens de querubins que ?Jeová? ordenou que fossem esculpidas para o Santo dos Santos: Também haviam esculturas nas paredes, assim como vocês vêem nas Igrejas católicas e nos monumentos. Aqui está, o mesmo capítulo, versos 29 a 35: ?Fez adornar todas as paredes do templo em roda com várias molduras e relevos, figurando nelas querubins, palmas, e diversas figuras...?. Os mesmos querubins e palmas foram esculpidas nas portas do oráculo, que foram revestidos de ouro, e na entrada dos pilares do Templo: todas as imagens foram revestidas de ouro. Mesmo o famoso véu do templo tinha querubins desenhados nele, como vocês podem ler em 2 Cr 3,7."

Tomei um pouco de ar e disparei: "Agora eu pergunto para vocês: Deus contradisse a si mesmo quando condenou a escultura de ídolos e logo depois ordenou a escultura de imagens colocadas no lugar mais sagrado do mundo, que Ele mesmo escolheu para habitar? Ou Ele sabia muito bem a diferença entre ÍDOLOS para adoração e IMAGENS para veneração?"

Meus visitantes tinham de dizer alguma coisa. O rapaz gaguejou: "Mas estas decorações foram idéia de Salomão, não de Jeová..." disse, meio que convencido.

"Nem tanto!" disse a ele. "As decorações seguem o rumo que Deus deu a Moisés para a Arca da Aliança e a Salomão para as imagens gigantes de querubins no Santo dos Santos. Além disso, Deus mesmo consagrou o templo e habitou nele, no dia da Dedicação. Você pode ver tudo isso no livro dos Reis. Vou ler somente alguns versos para vocês (eles não gostam muito quando católicos lêem a Bíblia para eles, mas eles não tinham escolha)".

"Sim, a dedicação do templo, vamos lá: ?Os sacerdotes trouxeram a Arca da Aliança do Senhor para este lugar, no oráculo do templo, para dentro do Santo dos Santos sob as asas dos querubins... Quando os sacerdotes saíram do santuário, uma nuvem encheu a casa do Senhor, e os sacerdotes não podiam mais ministrar por causa da nuvem: PORQUE A GLÓRIA DE DEUS TINHA ENCHIDO A CASA DO SENHOR?".

"Vocês podem imaginar?", comentei. "A glória do Senhor encheu uma morada repleta de imagens!".

Meus visitantes ficaram pensando. E pensar é uma coisa muito boa para fazer: "Incrível, não é? A glória de Deus descendo sobre uma multidão de imagens, todas revestidas de ouro! Lembrem-se que o bezerro de ouro que os hebreus fizeram na no Monte Sinai também era revestido de ouro: isto foi condenado por Deus porque foi usado com o propósito de adoração como a um deus, mas não os querubins de ouro do santuário. Deus quis que eles fossem esculpidos para serem uma representação de Seu Trono no céu, tanto os querubins quanto os serafins

O bezerro era um ídolo, e devia ser destruído. Os querubins eram imagens, ordenadas por Deus para serem esculpidas, e glorificadas por sua própria presença. Esta é a diferença. Na Bíblia você pode ler que no livro da Sabedoria, 14,12-29, as grandes condenações à idolatria."

Neste momento minha esposa entrou na sala carregando uma bandeja: café, chá, biscoitos, e água gelada (o verão na Austrália é muito quente). Assim que colocou os itens na mesa, pegou o fim da minha leitura e sabia exatamente de onde eu estava vindo. Antes de sair ela lançou um pequeno desafio aos TJs, para ver se eles tombariam. E eles tombaram. Ela disse: "Deus ordenou que imagens fossem esculpidas somente na Arca e no Santo dos Santos, certo? Com certeza não há em nenhum lugar na Bíblia onde as imagens representem alguma coisa santa? Mas Deus ordenou a Moisés que fizesse uma imagem de uma serpente e colocasse em uma vara. E, milagrosamente, aquele que fosse mordido por uma serpente seria curado pelo simples olhar para a serpente de bronze"

Minha esposa ainda completou: "Milagres ocorreram através de uma imagem! Incrível como Deus pode confundir Seus inimigos..."

Tive, então, de completar o assunto sobre a serpente: "Agora, o bonito é que os hebreus eram tão curvados à idolatria que começaram a adorar a serpente como a um deus. O resultado, o Rei Ezequias teve de destruí-la. Vejam em 2 Rs 18,4. Trabalho bem feito! Vamos examinar isto: enquanto eles a usaram como uma imagem milagrosa por onde Deus curava as pessoas estava tudo bem. Deus concedia cura através dela. Mas quando eles começaram a adorar a imagem como um deus, quando começaram a queimar incenso a ela como um sinal de adoração, ela tinha de ser destruída. Não porque era um imagem de escultura, mas por causa do mal uso que fizeram dela. O princípio permanece: o abuso não destrói o uso."

"Mas, mas... estas coisas aconteceram somente nos dias das Escrituras dos hebreus, sabia?", disse a moça TJ. "Estamos vivendo agora no tempo comum, e as escrituras cristãs gregas nos libertaram dos preceitos da lei antiga, sabia? Jesus aboliu tudo e recomeçou uma nova".

"É só isso?", eu perguntei. "Então, em sua opinião, Jesus veio para destruir, não para cumprir; para abolir, não para trazer a perfeição; para encobrir,não para fazer as profecias do Antigo Testamento tornarem-se realidade no Novo. Não, meus amigos, Jesus deixou muito claro no sermão da montanha que Ele ?não veio para destruir, mas para cumprir?. Ele também disse que o povo não devia crer que Ele veio ?destruir a lei e os profetas?. Isto está em Mt 5,17. o que os hebreus possuíam apenas em figura, nós temos em realidade. Mas não preste atenção só em mim: veja as palavras de Jesus quando Ele diz ?assim como Moisés levantou a serpente no deserto, assim deve o Filho do Homem ser erguido, e todos que nele acreditarem não cairão, mas terão a vida eterna? (Jo 3,16).

Meus visitantes provavelmente não tinham percebido ainda que a serpente de bronze era um prefiguração de Jesus na cruz para trazer cura espiritual e vida eterna para aqueles que olharem para Ele com os olhos da fé. "Mas", iniciou o rapaz, "isto é muito interessante para os pontos de vista arqueológicos, claro, mas os cristãos primitivos não se reuniam em volta de uma serpente para veneração, sabia?"

"Seu sarcasmos não adiantou muito", respondi. "Você entendeu perfeitamente bem que a serpente era um símbolo no Antigo Testamento - veja Adão e Eva - e Jesus tomou nossos pecados sobre Ele para nos reconciliar com Deus. As serpentes fizeram as pessoas sofrerem e morrerem, assim como os pecados nos fazem sofrer e morrer eternamente.. os hebreus foram curados fazendo a vontade de Deus assim como foi dito a Moisés, o representante de Deus na terra: olhando para a serpente em uma vara, após terem pedido o perdão de Deus por Moisés. Quando nos arrependemos, somos curados dos nossos pecados por fazer a vontade de Deus como nos foi dito pela Igreja, a representante de Deus na terra: olhando com os olhos espirituais para Jesus na cruz, e pedindo a misericórdia de Deus através de seus sacerdotes, a quem Deus deu o poder de perdoar pecados. Jo 20,23".

"Mas foi a igreja católica quem inventou a confissão dos pecados por um padre, sabia?", disse a jovem moça TJ. "Por favor, não mude de assunto", respondi. "Fiz uma alusão à confissão somente para mostrar a realidade da crucificação de Jesus e a cura do povo no Novo Testamento sendo prefigurados pela serpente de bronze em um vara curando as pessoas no Antigo Testamento. Se vocês não podem ver isto, realmente me preocupo com vocês".

"Não há nenhuma menção na Bíblia de que os primeiros cristãos dos tempos pré-constantinianos se preocupavam com pinturas, imagens ou outras ?obras de arte?".

"Se você conhecesse a história dos primeiros cristãos, saberia que as catacumbas primitivas até hoje ainda possuem pinturas representando Jesus como o bom pastor, pão e peixe, a Arca de Noé e muitas outras representações. Se for à Roma, poderá vê-las se quiser. Um imenso número deles são da era pré-constantiniana. Você pode dizer que os primeiros cristãos não desenvolveram a arte de esculpir imagens ou pinturas religiosas nesta época: ora, eles eram perseguidos até a morte, e quando se é perseguido até a morte creio que não sobra muito tempo para desenvolver habilidades artísticas, você teria?".

Não achei que meus visitantes estavam entendendo o que estava falando. Eles pareciam interessados em mudar o assunto para a Confissão. Mas eu não estava interessado em começar uma nova discussão. Quando nos dirigíamos em direção à porta, minha esposa disse a eles, "não é interessante São Paulo dizer que Jesus é a imagem de Deus? Ele geralmente usa a palavra ?ícone? para dizer ?imagem?. Veja na carta aos Hebreus 1,3".

Como eles não comentaram, ela continuou: "E vocês sabiam qual foi o primeiro artista que produziu a primeira imagem, para ser respeitada e amada, ser cuidada e honrada, certamente, mas não para ser adorada como deus?" Nossos amigos subitamente pararam, cheios de curiosidade. "Quem foi este?", disse o jovem. "Com certeza Jeová não gostaria de uma imagem de si mesmo. Quem foi?".

"Você disse agora mesmo!", respondeu minha esposa dando seu sorriso costumeiro. "Foi Deus mesmo o grande artista da primeira imagem de si mesmo - e não estou falando de Jesus..."

quando nossos visitantes chegaram à porta, ela concluiu: "Leiam em Gênesis 1,26-27: Deus disse, ?façamos o homem à nossa imagem e semelhança... Deus criou o homem em sua imagem. Na imagem de Deus foram criados os homens. Homem e mulher os criou?". Agora eu tinha certeza que os TJs não tinham prestado atenção a isso. "Sim, meus amigos", continuou, "em linguagem Bíblica, o casamento cristão é a primeira e maior imagem de Deus na terra - e Deus mesmo fez esta imagem, este ícone, esta representação dele mesmo, não para ser adorada, mas para ser amada, respeitada, honrada. Tenham um bom dia, e venham novamente!".

Quando fechamos a porta, desejamos que nossos visitantes pensassem sobre as passagens Bíblicas e nos argumentos que demos para que considerassem.

Os cristãos devem perceber que a veneração dos ícones, e depois das imagens, tem sido uma tradição cristã desde das épocas das catacumbas. A primeira vez que uma oposição ocorreu contra seu uso foi no século 8 pelo imperador Bizantino Leão, o Isáurico. Influenciado pelo islamismo e pelo maniqueísmo, foi o grande promotor da heresia conhecida como iconoclasmo. Esta heresia foi condenada no 2º Concílio de Nicéia em 787 d.C. e não retornarama te a revolta de Lutero em 1517. é interessante notar que nas igrejas ortodoxas, que quebraram a unidade com Roma séculos antes de Lutero, mantiveram a tradição do uso dos ícones na liturgia e nas devoções de maneira intacta até hoje.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

A cura entre gerações - boletim do ICCRS

A idéia de “cura entre gerações” não é, em si própria, incompatível com o ensinamento da Igreja Católica. Na realidade, a doutrina do pecado original pressupõe que os efeitos do pecado são passados de geração para geração (ver o Catecismo, 402-4-6). Tanto a psicologia como a experiência pastoral confirmam o fato evidente de que muitas vezes as faltas, fraquezas e pecados de uma geração – tais como alcoolismo, abuso físico ou sexual, distanciamento emocional, irresponsabilidade, etc – podem deixar sua marca na família, durando, algumas vezes, por várias gerações. Um pai pode praticar abuso ou ser emocionalmente ausente, em parte, por exemplo, por causa de seus pais, os quais, por sua vez, enfrentaram problemas que tiveram impacto sobre eles. Faz sentido, portanto, que uma pessoa passando por um processo de cura possa ser grandemente ajudada pelo reconhecimento desses padrões ligados às gerações e por orações, pedindo ao Senhor, especificamente, que rompa o ciclo não saudável e cure as feridas causadas pelo mesmo.
Entretanto, é também possível ver como esta forma de ministério de oração por cura pode degenerar em práticas anormais manchadas por superstições ou por erros teológicos. Por exemplo, um ministério de oração pode afirmar ter um discernimento detalhado sobre supostas maldições ou outras influências do ocultismo acontecidas há muitas gerações atrás, as quais devem ser removidas por tipos específicos de oração. Rezar pela cura, com base em tais especulações, seria entrar no reino do Gnosticismo, no qual a salvação depende do conhecimento ao qual a pessoa tem acesso. Este é o motivo pelo qual faz-se necessário um discernimento cuidadoso e prudente, assim como todos os fenômenos na vida espiritual. “Examinai tudo: abraçai o que é bom” (I Ts 5, 21). Seria desastroso se uma condenação massiva da oração de cura pela linha de família impedisse as pessoas de um reconhecimento legítimo do impacto da linha de família tanto nas feridas emocionais como na cura. Tal resposta desajuizada pode também ter o efeito de empurrar algumas pessoas para grupos não Católicos onde este tipo de prática é aceito.
Parece-me que uma boa supervisão pastoral desta prática deve incluir pelo menos três elementos:
1. Afirmação do que é válido na prática da oração de cura pela linha de família. A premissa básica, reconhecida na teologia Católica, é que, devido à unidade da família humana, Deus permite que as consequências do pecado deixem sequelas nas gerações subseqüentes. O Livro de Números 14, 18, e versículos similares (Ex 20, 5; 34, 7; e Dt 5, 9) devem ser interpretados à luz deste fato básico da experiência humana. Isto não significa que os filhos são culpados pelos pecados de seus pais (ver Ez 18; Jo 9, 2-3) e nem de que uma pessoa não possa ser salva se não houver uma cura em sua linha de família. Simplesmente, significa que as pessoas sofrem as consequências dos pecados de seus pais e que, através da oração e da fé na obra redentora de Cristo, elas podem ser libertas de tais consequências de acordo com a vontade de Deus. Elas também podem ser ajudadas a perdoar seus pais ou avós de qualquer coisa que as tenha prejudicado.
2. Uma exposição clara de tudo o que é inválido, errado, ou exagerado em tais práticas. Isto inclui:
- Qualquer sugestão de que as pessoas, de alguma forma, suportam a culpa dos pecados de seus ancestrais ou de que podem ser punidas por causa deles;
- Qualquer negação de livro arbítrio, ou da responsabilidade da pessoa por suas próprias ações;
- Quaisquer afirmações exageradas a respeito de conhecimento profético de gerações anteriores e de sua influência sobre uma pessoa;
- Quaisquer práticas ocultas (ex: conversar com demônios ou com ancestrais);
- Qualquer abuso da Missa ou dos sacramentos que as subordinam a outro propósito (ex: alcançar boa sorte) e não respeita sua finalidade própria que é a de nos aproximar de Jesus Cristo e levar-nos à vida eterna.
3. Diretrizes para praticar este tipo de ministério de oração de forma teologicamente correta e prudente. Como todas as formas de ministério de oração, as pessoas devem rezar com humildade, cuidado, bom discernimento e bom senso. O ministério de oração não deve nunca presumir ter uma palavra de conhecimento ou um discernimento profético infalível; ele/ela deve expressar, com cuidado, qualquer sentido de profecia relacionado à história da família da pessoa recebendo a oração e perguntar-lhe se a pessoa pode confirmar. Seria prudente limitar a oração a somente aquelas influências de gerações passadas que podem ser confirmadas pela memória ou história da família. Seria também melhor fazer a oração da forma mais simples possível, confiando que o Senhor curará conforme Sua vontade e não na habilidade ou técnica do ministério de oração.
Fonte: Boletim do ICCRS (International Catholic Charismatic Renewal Services),
Volume XXXV, número 4, de julho/setembro de 2009.

Todos precisamos ser curados

Você costuma ir periodicamente ao médico? E ao dentista? Tem tratado dos dentes? Como está sua saúde? Estamos na "geração saúde". Buscamos cada vez mais levarmos uma vida saudável. Aprendemos desde cedo que não devemos somente ir ao médico quando ficamos doente, mas precisamos ter um certo acompanhamento. E acima de tudo é extremamente necessário estarmos muito atentos ao menor sinal que mostre algo diferente acontecendo conosco. Por favor, não responda rápido, pense antes de falar qualquer coisa. Como você tem cuidado da saúde espiritual? Ou melhor dizendo, como tem cuidado de sua alma? Você está sempre atento aos sinais de que as coisas não vão muito bem, ou pensa que está tudo ótimo. Porém, sua alma está desenvolvendo um grande câncer, que você até agora não percebeu, porque ela não é tão importante assim...
O meu interior precisa ser curado
Você já parou para pensar que seu interior neste momento possa estar sofrendo um grande câncer? Todos nós necessitamos ser curados interiormente. Quem nunca sofreu de mágoa, ressentimento, traumas psicológicos, rejeições, etc… Todas essas lembranças podem nos influenciar de um modo muito negativo, de maneira a nos impedir de vivermos uma vida emocional equilibrada e termos relacionamentos sadios. E impede-nos principalmente de crescermos na santidade, uma vez que esta lembranças dolorosas, mágoas e carências afetivas são grandiosas barreiras.
Podemos comparar nossa mente a um imenso iceberg, uma grande montanha de gelo que parece flutuar nas gélidas águas do oceano. Todavia, o que vemos é apenas uma parte, a que está exposta que corresponde a dois terços do seu tamanho. Com nossa mente acontece algo muito semelhante; existe uma parte a qual chamamos de consciente, que é a qual temos conhecimento, e uma outra parte inconsciente que corresponde a 90% do seu total. Então, como pôde perceber recordamos apenas 10% do que acontece conosco, o restante fica arquivado em nossa inconsciente. Mas o que tudo isso tem a ver?
Constantemente como um mecanismo de defesa, "empurramos" para as áreas mais profundas do nosso ser, todos os acontecimentos da nossa vida, que nos traumatizaram, aqueles cujo não sabemos lidar com eles. Porém, do nosso inconsciente eles podem nos influenciar, mesmo que muitas vezes não tenhamos conhecimento deles. Como assim? Através da nossas atitudes, das nossas idéias, dos nossos relacionamentos ( com Deus, conosco, com os outros e com o mundo).
Vivemos presos ao passado, pois nos transformamos em nossos medos e traumas. Quando isso acontece, ficamos confusos, bloqueados, dificilmente acreditamos nas pessoas e tampouco nos lançamos em Deus e aceitamos seu amor incondicional por nós, uma vez que nós mesmos passamos a impor condições para amá-lo.
Fomos criados por Deus e para Deus, necessitamos incondicionalmente Dele para alcançarmos nosso fim último que é Ele . Entretanto, colocamos nossas expectativas nos outros, e em nós; esperamos sempre dos outros e de nós, quando deveríamos esperar em Deus. Amamo-nos de forma completamente desordenada e exigimos que nos amem. Esquecemos que o outro é tão limitado e imperfeito quanto cada um de nós e por isso acabamos nos sentindo completamente vazios, rejeitados, desamados, inseguros, magoados, sozinhos. Este processo acontece sempre de maneira muito sutil, nem percebemos, mas nossos corações ficam escuros e frios, causando uma grande desordem em nossos relacionamentos e gerando sentimentos de posse, egoísmo, inveja, ciúmes…
É necessário que nos deixemos guiar por Deus e não por nossas mágoas e traumas, pois não somos eles. Somos o que Deus pensa de nós!
Vamos ler Gn 12,1-3. Deus dá uma ordem à Abraão, mandando que saia de sua terra e parta para onde Ele indicar. A partir deste momento Abraão deixou todo o seu modo antigo de se relacionar com os outros e com o mundo. Ampliou sua tenda, alargando as fronteiras da sua doação de si . A comunhão perfeita de tudo isso iniciou-se na cruz com o sangue de Cristo, ultrapassando o plano natural.
Jesus é o médico das nossas almas
Vamos ler juntos Mc 12,28-31. Jesus nos dá uma ordem muito clara, precisamos amar os outros, e, isto implica em amar a Deus e amarmos a nós mesmos. Ele ainda nos mostra que as nossas feridas interiores são consequências dos nossos pecados e acabam afetando o nosso relacionamento com Deus, com o próximo e conosco.
Ao lermos o Evangelho podemos ver a freqüência Jesus perdoava os pecados antes ou depois de uma cura física. Ele bem sabia que a mágoa, o ressentimento, o ódio, a inveja, a discórdia, e outros sentimentos destrutivos aprisionam as pessoas, deixando-as paralizadas, gerando em seus corações um grande distanciamento de Deus.
Podemos ver muito bem descrita a missão de Jesus em Is 61. Ele veio para curar e libertar os cativos. " Não vim para os que estão sãos, mas para os enfermos." E quem são estes enfermos? Somos todos nós, que pela graça do Batismo nos tornamos filhos de Deus e pelos méritos da Paixão de Jesus fomos remidos por um preço altíssimo.
Nós precisamos constantemente de cura interior. É uma viagem que percorremos através das nossas lembranças. Nela, a pessoa mais importante é Jesus, pois Ele curará as nossas mágoas, solidão, nossos relacionamentos, dando um grande e novo sentido a eles. O maior desejo de Jesus é a nossa libertação, por isso sua ação redentora age em todo nosso ser seja ele físico, espiritual ou mental.
A maior necessidade que nós seres humanos temos é de sermos amados. Se por um acaso, esse amor nos é privado, seja em qualquer época da nossa vida: quando ainda estamos no ventre de nossa mãe, quando criança ou ainda em qualquer outra fase da vida, tudo isto tem o poder nos roubar a paz, a nossa aptidão de amar e a nossa capacidade de manter um relacionamento de confiança com Deus e com os outros, com quem somos chamados a nos relacionarmos. A grande maioria dos problemas psicológicos que hoje enfrentamos tem sua origem nos relacionamentos afetivos, que geram rejeição, menosprezo, indiferença, mágoas e ressentimentos.
É preciso que saibamos que da mesma forma que fomos criados de uma maneira única e particular, também assim, Deus deseja nos curar. Por isso, estejamos totalmente abertos para acolhermos esta grande graça.

A IMAGEM DA VIRGEM DE GUADALUPE?

Em síntese: O presente artigo refere experiências recém-realizadas em torno da imagem da Virgem de Guadalupe, das quais resulta tratar-se de fenômeno inexplicável à luz das leis da natureza. Nenhum pintor teria efetuado tal imagem, por mais fina e esmerada que fosse a sua arte.

É de conhecimento geral, entre católicos e não católicos, a existência de famoso santuário consagrado a Nossa Senhora de Guadalupe no México. De resto, é o santuário da padroeira da América Latina, cuja festa é celebrada a 12 de dezembro. Ora há fatos inexplicáveis recém-descobertos no tocante a tal santuário e à imagem que contém. Tais fatos se tornam indícios de real intervenção dos céus nas origens desse lugar de oração. A fim de melhor informar os nossos leitores, e em vista de sugestão trazida por amigos a PR, transcreveremos, a seguir, em tradução portuguesa o artigo de Torcuato Luca de Tena que expõe a seqüência dos acontecimentos notáveis concernentes ao santuário de Guadalupe.

INEXPLICÁVEL

As assombrosas descobertas científicas que recentemente se fizeram, e ainda continuam a ser feitas, em torno da imagem mexicana da Virgem de Guadalupe deixam literalmente estupefatos a todos que as conhecem.

BREVE RETROSPECTO

Para entender a importância de tais eventos, é preciso fazer breve retrospecto do que antiga e piedosa história narra acerca da milagrosa confecção da imagem, não pintada por mão de homem – segundo esta tradição -, mas, sim, milagrosamente impressa na túnica de um índio chamado Juan Diego em 1531. O relato que conta este sucesso, está escrito em náhualt (a língua dos aztecas) com caracteres latinos, e foi editado em seu idioma original e em espanhol em 1949, aproximadamente um século após sua primitiva redação, por iniciativa de um tal bacharel Luis Lasso de la Veja. Refere esta história que Juan Diego insistiu repetidas vezes com o primeiro Bispo do México, o franciscano Frei Juan de Zumárraga, para exprimir-lhe um desejo que lhe havia manifestado a Mãe de Deus em diversas aparições: Maria SS. pedia a edificação de uma ermida no lugar denominado Cerro de Tepeyac. Para desvencilhar-se do visionário sem o magoar, o afável Bispo pediu ao índio que lhe levasse uma prova convincente de que dizia a verdade. E que, em caso contrário, não o molestasse mais. Alguns dias mais tarde retornou Juan Diego levando como prova uma porção das chamadas “rosas de Castilla”, que não podiam florescer naquela estação do ano (mês de dezembro) e que ele afirmava lhe haviam sido entregues pela própria Virgem a fim de que as mostrasse ao Bispo. O jovem trazia as flores na túnica ou tilma milagrosamente estampada do índio Juan Diego. Este é o relato, sumarissimamente narrado, escrito em língua náhualt no tempo em que ainda vivia Hernán Cortés.

A explosão devota que desde os primeiros tempos da pacificação do México se produziu foi tão inusitada, e tão notáveis as peregrinações espontâneas de índios que acudiam de toda a parte para render culto à imagem, que o evento não pode deixar de ser mencionado por Bernal Diaz del Castillo em sua magna crônica da conquista de Nova Espanha.

E chegamos a nossos dias – ou melhor, a nosso século -, em que se constituiu uma Comissão de estudos para investigar não poucos fenômenos inexplicáveis da famosa tilma de Juan Diego.

OS EXAMES CIENTÍFICOS

1. Em primeiro lugar, chama a atenção dos peritos téxteis a singular conservação do rude tecido. Hoje em dia está protegido por cristais. Mas durante séculos esteve exposto, sem maiores cuidados, aos rigores do calor, da poeira e da umidade, e todavia sua tessitura não se desfibrou nem tampouco se lhe desvanesceu a admirável policromia.

A matéria física sobre a qual a imagem ficou estampada, é tecido confeccionado com fibra de ayate, da espécie mexicana “agave potule zacc”, que se decompõe por putrefação aos vinte anos aproximadamente, como se provou com várias reproduções feitas de propósito. Em contraposição, a túnica do contemporâneo de Cortés já dura quatrocentos e cinqüenta anos sem se rasgar nem decompor, e, por causas incompreensíveis para os mencionados peritos, é imune á umidade e à poeira.

Atribuiu-se esta virtude ao tipo de pintura que cobre a tela e que poderia muito bem atuar como poderosa matéria protetora; em conseqüência do que, enviou-se uma amostra para que fosse analisada pelo cientista alemão e prêmio Nobel de Química Richard Kuhn, cuja resposta deixou perplexos os consultantes. Os corantes da imagem guadalupana – respondeu o sábio alemão – não pertencem ao reino vegetal, nem ao mineral nem ao animal.

Pensou-se que talvez a tela estivesse tratada por um procedimento especial. As grandes pinturas da antigüidade puderam chegar até nós por estarem os tecidos que as recebiam (ou os paramentos dos “frescos”) previamente “preparados”, cobertos por uma cola ou estuque especiais. De que notável consistência seria esta preparação para que a pintura pudesse aderir e conservar-se incólume sobre matéria tão frágil e perecível, como é o ayate?

Confiou-se a dois estudiosos norte-americanos (o doutor Callagan, da equipe científica da NASA, e o professor Jody B. Smith, catedrático de Filosofia da Ciência na Pensacolla College) a tarefa de submeterem a imagem guadalupana à análise fotográfica com raios infra-vermelhos. As suas conclusões foram as seguintes:

Primeira: O ayate – tela rala de fio de magüey – não possui proporção alguma, o que torna inexplicável, à luz dos conhecimentos humanos, que os corantes impregnem fibra tão inadequada e nela se conservem.

Segunda? Não há esboços prévios, como os descobertos pelo mesmo processo nos quadros de Velázquez, Rubens, El Greco e Ticiano. A imagem foi pintada diretamente, tal qual a vemos, sem esboços nem retificações.

Terceira: No há pinceladas. A técnica empregada é desconhecida na história da pintura. É inusitada, incompreensível e irrepetível.

2. Paralelamente a isso, conhecido oculista de nome hispano-francês, Torija Lauvoignet, examinou com um oftalmoscópio de alta potência a pupila da imagem e observou, maravilhado, que na íris refletida uma mínima figura que parecia o busto de um homem. E este foi o antecedente imediato para promover a investigação que passo a explicar: a “digitalização” dos olhos da Virgem de Guadalupe.

Sabemos que na córnea do olho humano se reflete o que a pessoa está vendo no momento. O doutor Aste Tonsmann fez fotografar (sem que ele estivesse presente) os olhos de uma filha sua, e, utilizando o procedimento denominado “processo de digitalizar imagens”, pôde, sem mais, averiguar tudo quanto via sua filha no momento de ser fotografada. Este mesmo cientista, cuja profissão atual é a de captar as imagens da Terra transmitidas no espaço pelos satélites artificiais, “digitalizou” no ano passado (1980) a imagem guadalupana e os resultados começam agora a ser conhecidos. Consiste o procedimento em dividir a imagem em quadrículas microscópicas até o ponto de, numa superfície de um milímetro quadrado, caberem vinte e sete mil setecentos e setenta e oito ínfimos, mínimos quadradinhos. Uma vez feito isto, cada mini-quadrícula pode ser ampliada, multiplicando-se por dois mil, o que permite a observação de pormenores impossíveis de serem captados a olho nu. Ora os pormenores que se observaram na íris da imagem guadalupana são: um índio no ato de desdobrar sua tilma perante um franciscano: o próprio franciscano, em cujo rosto se vê escorrer uma lágrima, uma pessoa muito jovem, tendo a mão sobre a barba com ar de consternação; um índio com o torso desnudo em atitude quase orante; uma mulher de cabelo crespo, provavelmente uma negra, serviçal do Bispo; um varão, uma mulher e umas crianças com a cabeça meio-raspada e mais outros Religiosos vestidos com hábito franciscano, isto é... o mesmo episódio relatado em náhualt por um anônimo escritor indígena na primeira metade do século XVI e editado em náhualt e em espanhol por Lasso de la Veja em 1649, consoante já mencionei!

Atualmente estudos iconográficos estão sendo feitos a fim de comparar estas figuras com os retratos conhecidos do Arcebispo Zumárraga e de pessoas de seu tempo ou do lugar. O que é radicalmente impossível, é que num espaço tão pequeno como a córnea de um olho, situada numa imagem de tamanho aproximado ao natural, um miniaturista tenha podido pintar aquilo que foi necessário ampliar em duas mil vezes para que pudesse ser percebido.

CONCLUSÃO

O advogado e professor Luís Fernández Hernández, antigo colaborador na Espanha da Editorial Católica, solicitou-se que lhe prefaciasse um livro escrito para celebrar a 450º aniversário dos misteriosos eventos da colina de Tepeyac, que tiveram como protagonistas o índio Juan Diego e o Bispo espanhol Frei Juan de Zumárraga. Os dados por mim aqui apresentados, tomei-os deste livro, de próxima aparição.

“Inexplicável”, exclamaram os membros da Comissão de Estudos quando conheceram o veredito do sábio germânico Richard Kuhn segundo o qual a policromia da imagem guadalupana não procedia de corantes minerais, vegetais ou animais. “inexplicável!”, declararam por escrito os estudiosos norte-americanos Smith e Callagan ao verem por meio dos raios infra-vermelhos que a “pintura” não apresentava pinceladas, e estava isento de toda preparação o miserável ayate da tilma de Juan Diego. E o doutor Aste Tonsmann, ao mencionar em numerosas conferências o achado de figuras humanas de tamanho infinitesimal na íris da Virgem, não se cansa de repetir: “Inexplicável! Radicalmente inexplicável!”

(Extraído do jornal ABC, edição internacional, nº 1657, de 6/10/1981).

sábado, 15 de maio de 2010

Meu testemunho

Como o Inimigo quer

Em minha infância e em minha adolescência eu fui uma criança e um adolescente muito rebelde e violento. Eu tinha muito ódio no coração, brigava constantemente com colegas e familiares, e mais, não acreditava no amor. Por muitas vezes eu pensei em suicídio, em tirar a minha própria vida. Quando adolescente ainda, comecei a ingerir bebidas alcoólicas por influencias de amigos. Por muitas vezes também usei uma droga chamada loló. Eu bebia e usava essa droga para, no dizer dos colegas, ficar mais ‘desenrolado’. Para nós, naquele tempo, não beber, não usar aquela droga, não frequentar os bares e festas mundanas, era sinônimo de besta, otário etc. Para não ser chamado dessas coisas, entrava de cheio nessas realidades. Eu estava como o inimigo quer.

Uma vida em pedaços


Pouco a pouco minha vida foi virando, literalmente, um inferno. Comecei a ficar dependente do álcool. Não conseguia dizer não a quem me oferecesse alguma bebida. Fiquei viciado, porém, não reconhecia. Todo o dinheiro que ganhava era para sustentar o vício. Minha vida estava em pedaços, não tinha mais amor próprio. Sentia todos os dias um grande vazio no coração. Sentia remorsos, tristezas e angustias constantemente. Para tentar fugir de tudo isso caia novamente nas festas, na bebida e na prostituição (frequentava bordeis). Minha vida foi se tornando um lixo. Foi isso que o inimigo fez comigo. Foi a isso que eu me sujeitei. Ele - o inimigo – me fez esquecer de quão precioso eu sou; me fez esquecer de que sou imagem e semelhança do Pai. Eu me sentia a pior pessoa da face da terra. Minha vida estava em pedaços. No entanto, o inimigo queria mais. Ele sempre quer mais!

Semeando Inferno

Uma vez que você vive num inferno, você passa então a reproduzi-lo. Foi isso o que aconteceu comigo. Eu estava aprendendo a tocar violão e, por isso, todos vinham me procurar para ir tocar nos bares, e claro, não rejeitava. Muitas vezes eu chegava em casa sem saber como havia chegado. Acordava no outro dia todo vomitado, sujo e com um grande vazio no coração. Comecei a tocar e cantar em bares, que na verdade, eram verdadeiros prostíbulos. Eu tocava e cantava para homossexuais, lésbicas, prostitutas e homens adúlteros se embriagarem e se prostituírem naquele lugar. Quantas vezes, enquanto eu tocava, eu vi homens se beijando com outros homens; mulheres se beijando com outras mulheres; homens casados, que eu conhecia as esposas e os filhos, estavam ali, abraçados com outras mulheres. E eu? Eu estava ali também. Eu estava ali, tocando e cantando músicas apropriadas para criar o clima ideal para que aqueles filhos amados de Deus pudessem se prostituir, se embriagar e se entregar a todos os prazeres carnais possíveis. Eu também não ficava por baixo, passava toda a noite se embriagando. Era o meu pagamento, pois na maioria das vezes, o dinheiro que iria receber por tocar naquela noite, gastava-o todo com bebidas enquanto tocava. Eu estava semeando inferno na vida daquelas pessoas.

Lado a lado com o Maligno

De bares, eu passei a tocar em bandas. Lembro-me de uma das bandas que toquei em que todos os integrantes usavam algum tipo de droga. O lugar em que nós ensaiávamos era assustador, pois ao lado era um lugar consagrado ao Demônio. Nós estávamos, literalmente, lado a lado com o maligno. Nos nossos ensaios nós nos embriagávamos sempre. Tinha um integrante que parava o ensaio para cheirar cocaína, outro para fumar maconha e eu para me embriagar. Enquanto um dos quartos daquela casa era o lugar do ensaio, o outro quarto era o lugar em que a dona da casa consagrava a banda a Satanás. Nós íamos tocar nos lugares com a assistência do inimigo. Nos lugares em que tocávamos não era diferente dos nossos ensaios. Rolava de tudo: bebidas, drogas, prostituição etc.
Você está percebendo o que o Demônio faz conosco quando damos permissão? Ele arrasa e destrói a nossa vida. Era assim que eu estava; é assim que muitos estão. Eu era causa de desgosto para minha mãe e para minha namorada (hoje, minha esposa). Quantas vezes riram de mim ao passar pela rua sujo e embriagado! As pessoas aconselhavam minha namorada (Josilene) para que ela me deixasse, pois se se casasse comigo iria ter uma vida de tormentos.

Em decomposição

“Para mim, nãos havia mais jeito”, pensava eu. A minha alma estava em estado de decomposição devido a tudo isso em que eu estava metido. Por fim, teve um dia, que acho que foi o fundo do poço para mim. Foi quando, numa Sexta-Feira Santa, no dia em que o Senhor morreu na cruz por amor a mim, eu estava num prostíbulo com uma prostituta no colo bebendo cerveja, e nem ai para Deus.

Uma Trama de Amor

Enquanto eu não queria saber de Deus, Deus queria saber de mim. Ele estava me observando. Ele estava tramando algo que eu não sabia o que era. Enquanto eu havia desistido de mim, e me entregado inteiramente ao vício e ao pecado, Deus estava tramando uma investida de amor para me conquistar. Foi o que fez! Certa vez, me vi escrevendo e compondo algumas músicas sobre Deus. Fiquei assustado e me questionando: “como um trapo como eu poderia escrever coisas que falassem sobre Deus?” Não sabia eu, que já era uma emboscada divina, já era Deus colocando em ação a sua trama de amor. Uma pessoa (Roselma) que cantava na Igreja ficou sabendo dessas composições e mandou me chamar para que eu lhe mostrasse as músicas, foi quando ela me convidou para cantar na Igreja junto com ela e outros irmãos. Não sei como (ação do Espírito), mas aceitei o convite. Comecei, então, a cantar na Igreja no Ministério de música Maranatha, porém, continuei ainda tocando nas bandas do ‘mundo’. Continuei ainda com a mesma vida de pecado de antes.

O Dia do Milagre

Havia se passado já um ano, e eu ainda estava escravo do vício. Chegou, porém, o mês de comemorarmos 1 ano do Grupo de Oração “Unidos em Cristo”. Para que esse encontro tivesse bom êxito, foi sugerido que cada um dos participantes renunciasse, até o dia do encontro, algo de que gostasse muito. Eu logo pensei: “a bebida!” Fiz então o propósito com o Senhor de ficar sem beber até o dia do encontro, e não mais. Foram dias difíceis para mim, pois já estava acostumado a beber todos os dias, e como disse anteriormente, não conseguia resistir a quem me oferecesse uma dose. Foram dias de muitas tentações, muitas mesmo. Cada vez que alguém me oferecia uma dose, eu olhava para o copo, e meu corpo, já acostumado com o álcool, pedia que eu bebesse, porém, o Senhor estava ao meu lado, e me dizia ao coração: “Eu sou mais forte do que teu vício”; “Eu sou teu Deus, e tudo posso”; “Eu te dou forças para que suportes a tentação”; E assim, eu fui passando dia a dia na graça de Deus até chegar o dia do encontro, ou melhor, o Dia do meu Milagre. O nosso encontro foi no clube ITEC de Belo Jardim. Lembro-me de que no Sábado, nós fomos arrumar o local para o dia seguinte, o Domingo. Quando subi no palco do ITEC, com todo espírito de orgulho que tinha, logo comecei a me exaltar: “Aqui já passou Ivete Sangalo, Mastruz com Leite, Daniela Mercury, e fui citando cada pessoa famosa que por ali passou, e no final, disse: ‘Agora sou eu’”. Eu, ingênuo, nem imaginava o que Deus tinha pra mim naquele encontro.
Chegou, então, o dia do encontro. Começamos a tocar e animar naquela manhã de domingo. Enquanto cantava, ficava imaginando que depois do encontro eu iria beber todas para pagar o tempo sem beber que fiquei. Mais ou menos às 10 horas da manhã, começou um momento de oração muito estranho para mim, era o Momento do Santíssimo. Começamos a cantar uma música de adoração, enquanto o Santíssimo vinha em nossa direção, passando pelo meio do povo. Enquanto o Santíssimo passava, todos iam ficando de joelhos, foi quando também me ajoelhei. Quando Jesus Sacramentado foi chegando cada vez mais perto de mim, algo foi me cercando e me tomando, de tal forma, que não consegui mais cantar, só chorar. Naquele dia, algo novo aconteceu comigo. Eu experimentei o amor de Deus em minha vida. Eu fui “Batizado no Espírito Santo”. Eu fui impactado pela Graça de Deus. Todo o meu orgulho, vício, forma de pensar e ver as coisas caíram por terra diante do Senhor. A partir daquele dia, fui libertado da doença e do vício do alcoolismo. Esse dia, foi o dia do meu Milagre e, desde então, tudo em minha vida tem sido Milagre de Deus.
De uma criança traumática, de um adolescente rebelde e de um jovem viciado, orgulhoso e semeador de inferno, o Senhor o transformou num evangelizador, intercessor, catequista, músico, pregador, escritor, compositor, pai, esposo, coordenador da RCC da Diocese de Pesqueira etc. Quando na vida, eu poderia imaginaria que Deus tinha tudo isso para mim? Olhando para a minha vida, as coisas que fiz, eu posso dizer: “Tudo isso é pura Misericórdia do Senhor”. Nada do que citei é mérito meu. Se citei tudo isso, é para mostrar, e podem acreditar, quão Grande é o Amor de Deus por cada um de nós.
Deus também tem Milagres para você. Nesse momento ele está tramando algo a teu favor. Se prepare! Abra o seu coração, porque a misericórdia do Senhor pede entrada!

VOCÊ SABE O QUE É A REVOLUÇÃO SEXUAL?

A maioria das pessoas pensa que toda essa “promoção da sexualidade”, desvirtuando radicalmente a beleza do sexo, seja apenas algo fortuito nascido espontaneamente nos corações dos jovens; não é bem assim.

Atrás de tudo esse sexismo atual (pornografia escrita, filmes pornôs, motéis, comerciais eróticos, músicas, homossexualismo, “gênero”, etc. ) que inunda os meios de comunicação (rádio, tv, músicas, internet, cinema, jornais, revistas…) é movido por uma ideologia que foi transformada em “Revolução Sexual” a partir dos anos 60.

Tudo começou com a filosofia ateísta; os tais filósofos ateus como Heidegger, Marcuse, Shoppenhauer, Feuerbach, Nietsche, Marx, Engels, Freud e companhia. Um desses, Herbert Marcuse, um judeu alemão (nasceu em Berlim, em 19 de Julho de 1898 e faleceu em 29 de Julho de 1979), foi um influente sociólogo e filósofo alemão naturalizado norte-americano, pertencente à Escola de Frankfurt, escreveu um livro “Eros e Civilização” (Zahar Editores, Rio de Janeiro, 1955), que deu partida à Revolução Sexual. É um livro que já está na sua 19ª edição e que é muito lido por jovens universitários.

Marcuse era ateu e comunista. Escreveu muitas obras, entre elas: “Reason and Revolution”, 1941 (Razão e revolução, Paz e terra, RJ); “Soviet Marxism”, 1958 (Marxismo Soviético, São Paulo, Saga, 1968); “One-Dimensional Man”, 1964 (Ideologia da Sociedade Industrial, Editora Zahar, Rio de Janeiro); “Psychoanalyse und Politik”, 1968 (Psicoanálises y politica, Ediciones, Península, Barcelona); “Towards a Critical Theory of Society”, 1969 (Idéias sobre uma Teoria Crítica da Sociedade, Zahar Editores, RJ); “Counter-revolution and Revolution”, 1972 (Contra-revolução e revolução, Zahar, RJ, 1973).

O querido e preparado Padre Paulo Ricardo (www.padrepauloricardo.org), reitor do Seminário de Cuiabá, MT, mostra muito bem em seu site como Marcuse e outros provocaram a chamada Revolução Sexual que hoje assistimos. Você pode ouvir sua Palestra “Revolução sexual e Marxismo” no site.

O primeiro grande efeito da filosofia de Marcuse, que vamos explicar, foi o famoso festival “hippies” de Woodstock, onde predominou a liberação sexual, a música rock pesada e as drogas. A mensagem era essa: “Paz e Amor; não faça guerra, faça amor!”

Aparentemente um belo slogan, que encantou a juventude saida da Guerra do Viet Nan. Em seu livro “Eros e Civilização”, Marcuse, que era marxista, e que pretendia acabar com o capitalismo, engendrou a seguinte tese. Ele achava que a sociedade americana era capitalista, amante do dinheiro, porque estravazava nele a repressão sexual que sofria devido à formação cristã que recebera. O tabu sexual abria as portas para a ganância, era a sua tese.

Para o filósofo a repressão sexual fazia o americano estravazar na busca das riquezas a frustração; então, o “remédio” para acabar com o capitalismo era des-reprimir a sociedade capitalista com a liberação sexual, eliminando-se todos os tabus sexuais; e para isso era necessário uma Revolução sexual do tipo “não faça guerra, faça amor”; “paz e amor, bicho!”

A droga foi disseminada entre os jovens da primeira geração da Revolução Sexual, com o objetivo de lhes anestesiar a consciência, afim de poderem aceitar a quebra dos “tabus sexuais”, uma vez que receberam de seus pais uma boa e correta formação sexual. A música teve o mesmo fim.

Para Marcuse os Estados Unidos faziam guerra (Viet Nam, II Guerra, etc) porque através dela podiam manter o poder econômico, e dar vazão à ganância produzida pela repressão sexual de sua formação cristã.

Dentro da mentalidade marxista da “luta de classes”, Marcuse não deixava uma alternativa para o diálogo com o capitalismo, mas somente a saída do seu aniquilamento. Uma vez que o comunismo não conseguiu fazer isto pelas armas – a derrocada da União Soviética em 1989 mostrou isso – então, devia optar-se pela “revolução dos costumes e da cultura”. É por isso que hoje as universidades são o ninho da cultura marxista, pagã, materialista e inimiga radical da Igreja.

Em outras palavras, Marcuse idealizou, com outros filósofos, que a implantação do marxismo-comunismo no mundo moderno só poderia acontecer com a destruição da moral judaico-cristã, razão da repressão sexual. Esse é o seu objetivo; e a Igreja hoje está sozinha na defesa da moral cristã que moldou o Ocidente.

Infelizmente hoje a universidade, com raras e boas exceções, é um antro de ateísmo marxista que prega essa cultura. A Imprensa segue na mesma linha porque os jornalistas são formados em sua grande maioria nessas mesmas universidades. Assim, esses formadores de opinião vão espalhando as essas idéias cujo fruto hoje se vê nitidamente conduzindo também a política: distribuição farta de camisinhas e pílulas abortivas do dia seguinte, apoio ao homossexualismo e lesbianismo, oficialização de casamentos gays, aprovação do aborto, pornografia deslavada em todos os meios de comunicação, especialmente a internet de fácil acesso aos jovens.

O Padre Paulo Ricardo chama a atenção em seu ensino para algo sério. O jovem de ontem (1970 e seguintes) cometia os desatinos sexuais com uma consciência de que fazia algo errado diante da formação que recebeu, mas hoje, a atual juventude já não recebe mais essa formação em casa, então, pratica os desatinos sexuais, e muito piores, sem a menor dor de consciência. Ele constata, como confessor, que os pecados sexuais hoje são cometidos numa escala muito maior de depravação e requinte.

Hoje só resta na família e na lgreja uma Resistência contra essa terrível Revolução sexual; os seus frutos amargos estão destruindo não só os jovens, como suas famílias, bem como a sociedade.

Prof. Felipe Aquino – www.cleofas.com.br

IMAGENS E ÍDOLOS

Desde os primeiros séculos os cristãos pintaram e esculpiram imagens de Jesus, de Nossa Senhora, dos Santos e dos Anjos, não para adorá-las, mas para venerá-las. As catacumbas e as igrejas de Roma, dos primeiros séculos, são testemunhas disso. Só para citar um exemplo, podemos mencionar aqui o fragmento de um afresco da catacumba de Priscila, em Roma, do início do século III. É a mais antiga imagem da Santíssima Virgem, uma das mais antigas da arte cristã, sobre o mistério da Encarnação do Verbo. Mostra a imagem de um homem que aponta para uma estrela situada acima da Virgem Maria com o Menino nos braços. O Catecismo da Igreja traz uma cópia dessa imagem (Ed. de bolso, Ed. Loyola, pag.19).

Este exemplo mostra que desde os primeiros séculos os cristãos já tinham o salutar costume de representar os mistérios da fé por imagens, em forma de ícones ou estátuas. É o caso de se perguntar, então: Será que foram eles “idólatras” por cultuarem essas imagens? É claro que não? Eles foram santos, mártires, derramaram, muitos deles, o sangue em testemunho da fé. Seria blasfêmia acusar os primeiros mártires da fé de idólatras.

No século VIII, sob influência do judaísmo e do islamismo, surgiu um movimento herético que se pôs a combater o uso das imagens. Eram os iconoclastas. O grande e principal defensor do uso das imagens na época, foi o santo e doutor da Igreja S. João Damasceno (de Damasco), falecido em 749, o qual foi muito perseguido por se manter fiel e defensor dessa santa Tradição cristã.

A fim de dirimir as dúvidas sobre a questão, o Papa Adriano I (772-795) convocou o II Concílio Ecumênico de Nicéia, que se realizou de 24/09 a 23/10/787. Assim se expressou o Concílio, resolvendo para sempre a questão:

“Na trilha da doutrina divinamente inspirada dos nossos santos Padres, e da Tradição da Igreja Católica, que sabemos ser a tradição do Espírito Santo que habita nela, definimos com toda a certeza e acerto que as veneráveis e santas imagens, bem como a representação da cruz preciosa e vivificante, sejam elas pintadas, de mosaico ou de qualquer outra matéria apropriada, devem ser colocadas nas santas igrejas de Deus, sobre os utensílios e as vestes sacras, sobre paredes e em quadros, nas casas e nos caminhos, tanto a imagem de Nosso Senhor, Deus e Salvador, Jesus Cristo, quanto a de Nossa Senhora, a puríssima e santíssima mãe de Deus, dos santos anjos, de todos os santos e dos justos” (Catecismo da Igreja Católica, nº 1161).

Essas palavras, por serem de um Concílio da Igreja, são ensinamentos oficiais e infalíveis, e não podemos colocá-los em dúvida. O grande S. João Damasceno dizia: “A beleza e a cor das imagens estimulam a minha oração. É uma festa para meus olhos, tanto quanto o espetáculo do campo estimula meu coração a dar glória a Deus “ (nº 1162).

O nosso Catecismo explica que: “A imagem sacra, o ícone litúrgico, representa principalmente Cristo. Ela não pode representar o Deus invisível e incompreensível; é a encarnação do Filho de Deus que inaugurou uma nova “economia” das imagens”( 1159).

S. Tomás de Aquino (1225-1274) também defendia o uso das imagens, afirmando: “O culto da religião não se dirige às imagens em si como realidades, mas as considera em seu aspecto próprio de imagens que nos conduzem ao Deus encarnado. Ora, o movimento que se dirige à imagem enquanto tal não termina nela, mas tende para a realidade da qual é imagem“( 2131).

Muitos querem incriminar a Igreja Católica, afirmando que ela desrespeita a ordem que Deus deu a Moisés : “não vos pervertais, fazendo para vós uma imagem esculpida em forma de ídolo…” (Dt 4,15-16).

Os cristãos, desde os primeiros séculos, entenderam, sob a luz do Espírito Santo, que Deus nunca proibiu fazer imagens, e sim “ídolos”, deuses, para adorar. O povo de Deus vivia na terra de Canaã, cercado de povos pagãos que adoravam ídolos em forma de imagens (Baals, Moloc, etc). Era isso que Deus proibia terminantemente. A prova de que Deus nunca proíbiu imagens, é que Ele próprio ordenou a Moisés que fabricasse imagens de dois Querubins e que também pintasse as suas imagens nas cortinas do Tabernáculo. Os querubins foram colocados sobre a Arca da Aliança.

“Farás dois querubins de ouro; e os farás de ouro batido, nas duas extremidades da tampa, um de um lado e outro de outro… Terão esses querubins suas asas estendidas para o alto e protegerão com elas a tampa … “ (Ex. 25,18s, Ex 37,7; 1 Rs. 6,23; 2 Cr. 3,10).

“Farás o tabernáculo com dez cortinas de linho fino retorcido, de púrpura violeta sobre as quais alguns querubins serão artísticamente bordados” (Ex. 26,1.31).

Que fique claro, de uma vez por todas, Deus nunca proibiu imagens, e sim, “fabricar imagens de deuses falsos” . O mesmo Deus mandou que, no deserto, Moisés fizesse uma imagem de uma serpente de bronze (Nm 21, 8-9), que prefigurava Jesus pregado na cruz (Jo 3,14). Também o rei Salomão, quando construiu o templo, mandou fazer querubins e outras imagens (I Rs 7,29). O culto que a Igreja Católica presta a Deus, e só a Deus, é um culto chamado “latria”, isto é, de adoração. Aos anjos e santos é um culto chamado “dulia”, de veneração. Maria, como Mãe de Deus recebe o culto de “hiper-dulia”, super-veneração digamos, mas que está muito longe da adoração devida só a Deus.

São Pedro, ao terminar a segunda Carta falava do perigo daqueles que interpretavam erroneamente as Escrituras: “Nelas há algumas passagens difíceis de entender, cujo sentido os espíritos ignorantes ou pouco fortalecidos deturpam, para a sua própria ruína, como o fazem também com as demais Escrituras” (2 Pe 3,16).

Infelizmente isto continua a acontecer com aqueles que querem dar uma interpretação individual à Palavra de Deus, sem autorização oficial da Igreja, levando multidões ao erro. Só a Igreja é a autêntica intérprete da Bíblia (cf.Dei Verbum,10), pois foi ela que, inspirada pelo Espírito do Senhor (Jo 16,12), a compôs.

As imagens, sempre foram, em todos os tempos, um testemunho da fé. Para muitos que não sabiam ler, as belas imagens e esculturas foram como que o Evangelho pintado nas paredes ou reproduzido nas esculturas. E assim há de continuar a ser.

É claro que o culto por excelência é prestado a Deus, mas isto não justifica que as imagens sejam retiradas das nossas igrejas. Ao contrário, elas nos lembram que aqueles que elas representam, chegaram à santidade por graça e obra do próprio Deus. Assim, as imagens, dão, antes de tudo, glória a Deus. Quando nos ajoelhamos diante de uma imagem de um santo, ou da Virgem Maria, não é para adorar a imagem ou o santo, mas para rezar a Deus, invocando a intercessão do santo.

Prof. Felipe Aquino - www.cleofas.com.br

A Igreja Católica e a Bíblia

Se não fosse a Igreja Católica, não existiria a Bíblia como a temos hoje, com os 72 livros canônicos, isto é, inspirados pelo Espírito Santo.


“Foi a Tradição apostólica que fez a Igreja discernir que escritos deviam ser enumerados na lista dos Livros Sagrados”(DV 8; CIC,120).

Portanto, sem a Tradição da Igreja não teríamos a Bíblia. Santo Agostinho dizia: “Eu não acreditaria no Evangelho, se a isso não me levasse a autoridade da Igreja Católica”(CIC,119).


Por que a Bíblia católica é diferente da protestante? Esta tem apenas 66 livros porque Lutero e, principalmente os seus seguidores, rejeitaram os livros de Tobias, Judite, Sabedoria, Baruc, Eclesiástico (ou Sirácida), 1 e 2 Macabeus, além de Ester 10,4-16; Daniel 3,24-20; 13-14.





No ano 100 o Sínodo de Jâmnia (ou Jabnes):

(1) deveria ter sido escrito na Terra Santa;

(2) escrito somente em hebraico, nem aramaico e nem grego;

(3) escrito antes de Esdras (455-428 a.C.);

(4) sem contradição com a Torá ou lei de Moisés.



Versão dos Setenta: Alexandria - 200 anos antes de Cristo, incluiu os livros que os judeus de Jâmnia, por critérios nacionalistas, rejeitaram.

Havia então no início do Cristianismo duas Bíblias judaicas: uma da Palestina (restrita) e a Alexandrina (completa – Versão dos LXX).



Os Apóstolos e Evangelistas optaram pela Bíblia completa dos Setenta (Alexandrina), considerando canônicos os livros rejeitados em Jâmnia.



Das 350 citações do Antigo Testamento que há no Novo, 300 são tiradas da Versão dos Setenta, o que mostra o uso da Bíblia completa pelos apóstolos.



Verificamos também que nos livros do Novo Testamento há citações dos livros que os judeus nacionalistas da Palestina rejeitaram. Por exemplo: Rom 1,12-32 se refere a Sb 13,1-9; Rom 13,1 a Sb 6,3; Mt 27,43 a Sb 2, 13.18; Tg 1,19 a Eclo 5,11; Mt 11,29s a Eclo 51,23-30; Hb 11,34 a 2 Mac 6,18; 7,42; Ap 8,2 a Tb 12,15.



Nos mais antigos escritos dos santos Padres da Igreja (patrística) os livros rejeitados pelos protestantes (deutero-canônicos) são citados como Sagrada Escritura.

São Clemente de Roma, Papa, no ano de 95 escreveu a Carta aos Coríntios, citando Judite, Sabedoria, fragmentos de Daniel, Tobias e Eclesiástico; livros rejeitados pelos protestantes.



Pastor de Hermas, no ano 140, faz amplo uso de Eclesiástico, e do 2 Macabeus;



Santo Hipólito (†234), comenta o Livro de Daniel com os fragmentos deuterocanônicos rejeitados pelos protestantes, e cita como Sagrada Escritura Sabedoria, Baruc, Tobias, 1 e 2 Macabeus.



Vários Concílios confirmaram isto: os Concílios regionais de Hipona (ano 393); Cartago II (397), Cartago IV (419), Trulos (692). Principalmente os Concílios ecumênicos de Florença (1442), Trento (1546) e Vaticano I (1870).



Lutero, ao traduzir a Bíblia para o alemão, traduziu também os sete livros (deuterocanônicos) na sua edição de 1534, e as Sociedades Biblícas protestantes, até o século XIX incluíam os sete livros nas edições da Bíblia.



“Pela Tradição torna-se conhecido à Igreja o Cânon completo dos livros sagrados e as próprias Sagradas Escrituras são nelas cada vez mais profundamente compreendidas e se fazem sem cessar, atuantes.” (DV,8).



A Bíblia não define o seu catálogo; isto é, não há um livro da Bíblia que diga qual é o índice dela. Assim, este só pode ter sido feito pela Tradição dos apóstolos, pela tradição oral que de geração em geração chegou até nós.



A Vulgata - O Papa São Dâmaso (366-384), no século IV, pediu a S.Jerônimo que fizesse uma revisão das muitas traduções latinas que havia da Bíblia. São Jerônimo revisou o texto grego do Novo Testamento e traduziu do hebraico o Antigo Testamento, dando origem ao texto latino chamado de Vulgata, usado até hoje.